EUA podem ser o novo paraíso das empresas que violam direitos humanos

Escravatura e tráfico são alguns dos crimes cometidos que poderão ficar impunes.

Executive Digest

Os Estados Unidos da América (EUA) têm leis que garantem que vítimas de abusos por parte de empregadores norte-americanos além-fronteiras podem pedir compensações. No entanto, tudo poderá mudar em breve, uma vez que o Supremo Tribunal estará a preparar uma reinterpretação dessas mesmas leis.

O alerta é deixado por activistas, que temem que o país liderado por Donald Trump se possa tornar numa espécie de paraíso para empresas que violam os direitos humanos nas suas operações noutros mercados. Escravatura e tráfico são alguns dos crimes cometidos que poderão ficar impunes.

«Se eles ganharem este recurso, terão conseguido eliminar a principal ferramenta que os activistas dos direitos humanos têm em tribunal», garante Terrence Collingsworth, director executivo da organização sem fins lucrativos International Rights Advocates. O especialista refere-se a um recurso submetido pela Nestlé e pela Cargill, que contesta a possibilidade de trabalho forçado na Costa de Marfim ser analisado no tribunal norte-americano.

Segundo o The Guardian, as duas multinacionais consideram que a lei que permitiu o processo, o chamado Alien Tort Statute, aplica-se apenas a indíviduos e não pode ser utilizada em casos que envolvam entidades corporativas.

Se o Supremo Tribunal aceitar este argumento e reinterpretar a lei, as vítimas passam a ter de provar a culpa de um indíviduo em particular dentro da empresa. «É virtualmente impossível imaginar como conseguiríamos provas suficientes para processar um indíviduo destas corporações», acrescenta Terrence Collingsworth.

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