Documentos comerciais confidenciais de conversações comerciais do Reino Unido sobre o período pós-Brexit, revelados antes das eleições britânicas de 2019, foram partilhados fruto de um ciber-ataque à conta de e-mail do ex-ministro do Comércio, Liam Fox, alegadamente perpetrado, por hackers russos, avança uma investigação exclusiva da ‘Reuters’.
Segundo foi possível apurar pela agência, os documentos sobre as negociações comerciais do Reino Unido com outros países, nomeadamente com os Estados Unidos, para o período pós-Brexit foram “roubados” diretamente do email de Liam Fox, por piratas informáticos com ligações ao Kremlin, usando a já conhecida técnica do envio de um email fraudulento que convence o alvo a fornecer os seus códigos de acesso de email.
Atendendo a que está a decorrer uma investigação policial, as fontes que falaram, anonimamente, com a ‘Reuters’ deram conta de que os hackers acederam à referida conta várias vezes entre 12 de julho e 21 de outubro do ano passado, mas não entraram noutros detalhes, nomeadamente sobre a entidade do grupo ou organização russa que responsabilizam, ainda que tenham acrescentado que o ataque apresenta características de uma operação apoiada pelo Estado.
Entre as informações roubadas estavam seis passagens de documentos que detalhavam as negociações comerciais britânicas com os Estados Unidos, sobre as quais a ‘Reuters’, já no ano passado, noticiou que foram lançadas na internet graças a uma campanha de desinformação russa.
Importa recordar que estes documentos foram alvo de análises muito detalhadas depois de terem sido relevados numa conferência de imprensa pelo então líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, que os usou para tentar provar que, depois do Brexit, o Governo britânico estaria preparado para “vender o Serviço Nacional de Saúde aos interesses privados dos Estados Unidos”, declarava à data.
O ministro das Relações Exteriores britânico, Dominic Raab, confirmou a existência deste relatório, no mês passado, dizendo que “invasores russos” haviam tentado interferir nas eleições “através da disseminação online de documentos do governo adquiridos e partilhados ilegalmente”.
Segundo um porta-voz do governo britânico, está a decorrer uma “investigação criminal sobre a forma como os documentos foram adquiridos, e seria inapropriado comentar mais neste momento”.



