“Ainda estamos na primeira vaga”, alerta a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da Organização Mundial da Saúde (OMS), María Neira, em entrevista ao jornal espanhol ‘El País’, insistindo que haverá “casos esporádicos na Europa e é melhor que todos estejam preparados”, porque em alguns casos haverá pequenos surtos, mas noutros podem tornar-se uma cadeia de transmissão na comunidade.
“O importante é saber como responder. Ter soluções muito adaptadas à situação para não voltarmos a situações tão dramáticas. Para além de revelar o número de novos casos, é importante lembrar à população o número de mortes. Felizmente, diminuiu significativamente”, detalhou.
A responsável da OMS apontou ainda que na fase pós-confinamento a estratégia de saúde pública “mais forte” é aquela que consegue detetar, testar, rastrear contactos, isolar e colocar em quarentena. “É repetir um modelo mas é o que funciona. Temos que nos focar no que sabemos e estudar cada surto para aprender com ele. Se o problema for o rastreador, corrija-se o mais rápido possível”, enfatizou.
Questionada sobre as áreas do mundo mais preocupantes face à transmissão do novo coronavírus, Neira enfatizou que, embora o continente americano concentre a “atenção dos media por razões políticas e institucionais”, está muito preocupada com a Ásia, Índia e África.
“A Índia tem um enorme problema de densidade populacional que geralmente ocorre na Ásia. Uma das primeiras coisas que precisamos mudar é como planeamos as nossas cidades, que não são projetadas para reduzir a vulnerabilidade, devido à superlotação e densidade intensa. Devemos começar a projetar cidades para nos proteger de doenças infecciosas, mas também das crónicas ligadas ao estilo de vida sedentário ou à poluição do ar, ou mesmo de uma catástrofe natural “, afirmou.








