Ainda na primeira vaga Europa vai continuar a enfrentar novos surtos, alerta OMS

A responsável da OMS apontou ainda que na fase pós-confinamento a estratégia de saúde pública “mais forte” é aquela que consegue detetar, testar, rastrear contactos, isolar e colocar em quarentena.

Sónia Bexiga

“Ainda estamos na primeira vaga”, alerta a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da Organização Mundial da Saúde (OMS), María Neira, em entrevista ao jornal espanhol ‘El País’, insistindo que haverá “casos esporádicos na Europa e é melhor que todos estejam preparados”, porque em alguns casos haverá pequenos surtos, mas noutros podem tornar-se uma cadeia de transmissão na comunidade.

“O importante é saber como responder. Ter soluções muito adaptadas à situação para não voltarmos a situações tão dramáticas. Para além de revelar o número de novos casos, é importante lembrar à população o número de mortes. Felizmente, diminuiu significativamente”, detalhou.

A responsável da OMS apontou ainda que na fase pós-confinamento a estratégia de saúde pública “mais forte” é aquela que consegue detetar, testar, rastrear contactos, isolar e colocar em quarentena. “É repetir um modelo mas é o que funciona. Temos que nos focar no que sabemos e estudar cada surto para aprender com ele. Se o problema for o rastreador, corrija-se o mais rápido possível”, enfatizou.

Questionada sobre as áreas do mundo mais preocupantes face à transmissão do novo coronavírus, Neira enfatizou que, embora o continente americano concentre a “atenção dos media por razões políticas e institucionais”, está muito preocupada com a Ásia, Índia e África.

“A Índia tem um enorme problema de densidade populacional que geralmente ocorre na Ásia. Uma das primeiras coisas que precisamos mudar é como planeamos as nossas cidades, que não são projetadas para reduzir a vulnerabilidade, devido à superlotação e densidade intensa. Devemos começar a projetar cidades para nos proteger de doenças infecciosas, mas também das crónicas ligadas ao estilo de vida sedentário ou à poluição do ar, ou mesmo de uma catástrofe natural “, afirmou.

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Em jeito de balanço, a responsável frisou que foram “seis meses muito intensos” e neste momento é claro para si que o novo coronavírus “afeta mais uns países do que outros, consegue sobreviver mas também nós conseguimos controlá-lo”. E é crucial nesta altura “aumentar os conhecimentos” sobre o vírus para “sermos mais eficazes na luta”.
Sobre as potenciais vacinas em desenvolvimento, a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS considera que não serão uma realidade antes do “primeiro semestre do próximo ano”. Isto apesar de “na história da humanidade” nunca ter havido “uma corrida tão desenfreada, com tantos recursos, tanta mobilização, tanta colaboração científica e tanta pressão política e cidadã” para o desenvolvimento de uma vacina.
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