Campanha de Trump acusada de ‘camuflar’ 170 milhões de dólares em pagamentos

O ‘Campaign Legal Center’ acusa os comités de Trump de violarem a lei ao fazerem pagamentos a empresas que eram usadas como veículos, ocultando os verdadeiros destinatários do dinheiro

Sónia Bexiga

Dois dos comités de reeleição do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, violaram as leis de financiamento de campanhas, ‘camuflando’ o verdadeiro objetivo e os destinatários de quase 170 milhões de dólares (cerca de 145 milhões de euros) em pagamentos, incluindo os salários de Lara Trump e Kimberly Guilfoyle, de acordo com uma queixa apresentada, esta terça-feira, à Comissão Federal de Eleições por um grupo de vigilância do processo eleitoral.

O ‘Campaign Legal Center’, organização que procura reduzir a influência do dinheiro na política, acusa os comités de Trump de violarem a lei ao fazerem pagamentos a empresas que eram usadas como veículos, ocultando os verdadeiros destinatários do dinheiro. Os comités políticos deverão agora ser obrigados a divulgar os destinatários reais destas despesas.

“Estes esquemas disfarçaram milhões em pagamentos a empresas envolvidas em trabalhos significativos para a campanha, bem como pagamentos a familiares de Trump e a funcionários da campanha”, o que é uma violação dos requisitos de comunicação, esclarece o teor da queixa, citada pela ‘Bloomberg’.

O documento diz que, a partir de 2018, a campanha de Trump e o organismo “Trump Make America Great Again”, que arrecadam dinheiro de pequenos patrocinadores do processo de reeleição, fizeram pagamentos a duas empresas controladas por Brad Parscale, ex-gerente de campanha de Trump.

Uma das empresas visadas na queixa, a American Made Media Holding Corp., recebeu 166 milhões de dólares, enquanto a Parscale Strategy LLC, recebeu 2,6 milhões. Os pagamentos foram feitos por serviços que incluíam media, publicidade online e vários tipos de consultoria que foram realmente executadas por outras empresas e indivíduos na direção da campanha.

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Já a American Made Media, que recebeu a maior parte dos pagamentos, usou outros fornecedores para realmente executar os serviços, mostram ainda os registos federais de outras agências. Por exemplo, as emissoras, que são obrigadas a relatar gastos políticos no seu tempo de antena à Comissão Federal de Comunicações, listam a Harris Sikes Media, e não a American Made Media, como tendo adquirido tempo de televisão para os anúncios da campanha de Trump.

A empresa de software Phunware, que construiu a aplicação móvel de Trump, informou, em comunicado à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, que recebeu 3 milhões de dólares em 2019 da American Made Media, que era o seu principal cliente, à data. Mas nenhum pagamento à Phunware aparece nas divulgações ao FEC. O tesoureiro assistente da campanha de Trump, Sean Dollman, e o advogado Alex Cannon estão listados como diretores da American Made Media, diz a queixa.

Na denúncia, o Centro Legal da Campanha solicitou ao FEC que conduzisse uma investigação imediatamente.

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