“Andamos há quase 60 anos à procura de uma vacina para coronavírus. Não tem sido possível por falta de imunidade duradoura”, afirma epidemiologista

Sobre os surtos recentes na Europa, e à possibilidade de uma segunda vaga, afirma que estamos a assistir aos resultados de modelos de confinamento inéditos e muito diferentes entre os países afetados.

Executive Digest

“Andamos há quase 60 anos à procura de uma vacina para coronavírus. Não tem sido possível por falta de imunidade duradoura”, afirma Henrique Barros, presidente do Conselho Nacional de Saúde e do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto.

Em declarações ao ‘Público’, esta terça-feira, o epidemiologista considera que a evolução da pandemia do novo coronavírus em Portugal, desde os primeiros dias de março até ao mês de julho, caracterizou-se por “aumento inicial mais rápido, seguido de uma diminuição sustentada e depois de uma progressão de casos razoavelmente na mesma dimensão. Foi sempre um contínuo”.

Sobre os surtos recentes na Europa, e à possibilidade de uma segunda vaga, afirma que estamos a assistir aos resultados de modelos de confinamento inéditos e muito diferentes entre os países afetados. “A ideia de desconfinar bem ou desconfinar mal é inapropriada porque não maneiras apropriadas de nos fecharmos. O ideal seria ficarmos fechados até que a pandemia acabasse, o que não pode acontecer. Temos é de aprender a conviver com o vírus”, reforçou.

Sobre os resultados do recente estudo serológico do Instituto Ricardo Jorge que revela que cerca de 300 mil portugueses têm imunidade à Covid-19, o especialista afirma tratar-se de “um disparate dizer-se que 3% da população teve infetado”, atendendo ao tipo de resultados obtidos, acrescentando ainda que “não se sabe que amostra é, e o que representa de facto”, sendo que “é da natureza das coisas, é perfeitamente natural que determinado número de pessoas passe por um agente infeccioso e permaneçam assintomáticos. Se dissermos que cerca de 3% dos portugueses teve contacto com um agente ainda é aceitável agora que tiveram infetados, não”.

Quanto a vacinas e sobre quantos portugueses teriam de ser vacinados para estarmos num cenário de imunidade de grupo, o especialista afirmou: neste momento, a resposta honesta é nem temos ideia”. E isto porque “a proporção de pessoas que tem de estar imunizadas, garantindo que a infeção não circula, varia de agente para agente e tem a ver com a reprodução das infeções. E temos muito pouca experiência com esta infeção”.

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“Este vai ser uma trabalho para os próximos anos. Hoje sabemos que andamos há quase 60 anos a tentar encontrar uma vacina para vírus, para este grande grupo chamado coronavírus. E a vacina não tem sido possível porque a doença natural não dá imunidade duradoura. Ao fim de muito pouco tempo a imunidade desaparece.Mesmo quando se tem uma constipação, passados seis meses podemos voltar a ter. Mesmo sem sabermos se podem aparecer variantes deste vírus, já sabemos que ao fim de algumas semanas as pessoas já não têm anticorpos”, reforçou ainda o especialista.

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