Onda de calor da Sibéria causa fenómenos extremos: Ártico está a arder e derreter ao mesmo

A Organização Meteorológica Mundial alertou que as temperaturas na Sibéria estão cerca de 18 graus acima da média em junho.

Sónia Bexiga

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou, esta sexta-feira, que as temperaturas na Sibéria estão cerca de 18 graus acima da média em junho, sucedendo-se os incêndios devastadores no Ártico onde, na zona costeira, também o gelo está a derreter.

“O aquecimento no Ártico está acima da média global, em mais de o dobro, impactando populações e ecossistemas locais e com repercussões globais”, afirmou o secretário-geral da OMM Petteri Taalas, em comunicado, citado pelo ‘The Guardian’.

A onda de calor da Sibéria e o recorde de calor no Ártico seriam praticamente impossíveis sem as mudanças climáticas causadas pelo homem, de acordo com um estudo recente do projeto ‘World Weather Attribution’.

Segundo explica a OMM, a onda de calor deve-se, em parte, a um sistema de pressão de bloqueio e a uma oscilação para o  norte do jato que está a enviar ar quente para a região. As temperaturas na cidade siberiana de Verkhoyansk atingiram um recorde de 100,4 graus [38 graus Celsius] em junho.

O Ártico já havia atingido as suas temperaturas anuais mais altas no período compreendido entre  2016 a 2019, mas 2020 está a bater recordes e está a revelar-se mais quente.

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“O que acontece no Ártico não fica no Ártico. Por causa das teleconexões, os polos influenciam o clima e as condições climáticas em latitudes mais baixas, onde vivem centenas de milhões de pessoas”, acrescentou Taalas.

No caso dos incêndios no Ártico, os cientistas sublinham que despontaram de forma incomum no início deste ano devido às condições quentes e secas na Sibéria. Em junho, estes incêndios lançaram mais gases poluentes no ambiente do que qualquer outro incêndio em quase duas décadas de recolha de dados.

As chamas devastaram ecossistemas e habitats locais e liberaram dióxido de carbono e fuligem, que causam aquecimento no planeta. Sendo que também derreteram o ‘permafrost’ contendo metano e dióxido de carbono. Os cientistas alertam que o derretimento do ‘permafrost’ poderá liberar até 240 mil milhões de toneladas de carbono na atmosfera até 2100.

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É praticamente certo que 2020 estará entre os anos mais quentes de todos os tempos, de acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. O ano passado foi o segundo mais quente de todos os tempos, que culminou com a década mais quente já registada, à medida que o aquecimento global se acelera.

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