A partir do seu pub quase vazio no Algarve, o britânico Samuel Tilley, descontente com o governo do seu país, decidiu alertar para os prejuízos que estão a trazer as regulamentações de combate ao novo coronavírus em matéria de restrições a quem viaja de ou para Portugal.
Num video partilhado pela ‘Reuters’, Tilley fala da falta de turistas em Vilamoura, onde, por esta altura, as ruas costumam estar cheias de gente e o seu bar a trabalhar em alta azáfama. Muito longe do que acontece agora.
Num tom de profundo desagrado, Tilley questiona a decisão do Reino Unido de deixar Portugal de fora de uma lista de mais de 50 países seguros para viajar sem restrições .
“Foi muito chocante. Não acredito que haja uma lógica por trás disto”, acusa Tilley, frisando que “existem pessoas maravilhosas aqui no Algarve e sinto que esta decisão do governo britânico as magoou profundamente”.
O ano passado, Portugal recebeu cerca de 2 milhões de britânicos, dos quais 64% foram para o Algarve, escolhido pelas suas praias e campos de golfe. Até agora, em 2020, apenas 92 mil britânicos visitaram esta região.
Os britânicos injetaram cerca de 3,2 mil milhões de euros na economia portuguesa, em 2019 e, sem esse dinheiro, os negócios do Algarve, que dependem principalmente dos meses movimentados de verão para sobreviver, estão numa situação de grande fragilidade.
O Reino Unido adicionou a Estónia, Letónia, Eslováquia, Eslovénia e o arquipélago St. Vincents, nas Caraíbas, à lista de corredores de viagens, depois de rever as avaliações de risco mais recentes. Portugal voltou a ser excluído, ou seja, quem entre no território vindo de Portugal está obrigado a uma quarentena.
Esta sexta-feira, o governo britânico divulgou uma nova lista dos corredores turísticos. De acordo com o jornal The Telegraph, o governo britânico decidiu “rejeitar” o pedido português para ser incluído nos “corredores aéreos”, uma lista que conta já com 74 países e territórios, onde se inclui, por exemplo Espanha.
“Espanha continua na lista, apesar de, como Portugal, estar a lidar com um aumento do número de surtos, que forçou as autoridades regionais a reintroduzir restrições a nível local”, sublinha a publicação britânica.
As mudanças, que entrarão em vigor a partir de terça-feira, 28 de julho, acontecem numa altura em que o governo britânico pede aos passageiros que continuem a proteger-se ao considerar viajar para o exterior, garantindo que estejam atualizados com as informações mais recentes – em ‘casa’ e no destino.





