O grupo de cientistas da Universidade da Columbia, em Nova Iorque, nos Estados Unidos identificaram um potente cocktail de anticorpos que pode ajudar os médicos a tratar infeções por Covid-19 e proteger as pessoas em risco de adoecerem com a doença, noticia o ‘The Guardian’.
Os anticorpos foram recolhidos de pacientes hospitalizados com Covid-19 com casos graves, trabalhando com aqueles que permitissem uma produção em escala, por farmacêuticas, e transfundidos no sangue para combater o vírus ou impedir que este se instalasse.
Os investigadores examinaram anticorpos de 40 pacientes com a Covid-19 e identificaram 61 tipos entre cinco pacientes que efetivamente eliminaram o coronavírus. Entre eles, nove apresentaram “potência máxima” para neutralizar o patógenio.
Os testes realizados em células mostraram ainda que os anticorpos mataram o vírus, enquanto experiências com ratos (hamsters) revelaram que uma infusão de um dos anticorpos mais potentes protegia os animais da doença. “Interrompemos completamente o vírus infecioso no tecido pulmonar dos hamsters que tratámos”, garantiu David Ho, professor de medicina da Columbia, líder desta pesquisa.
“Isolamos especificamente anticorpos muito potentes que podem ser produzidos em massa e depois administrados”, disse ainda Ho, explicando que “assumimos que podem ser usados para prevenir ou tratar o Sars-Cov-2. E iríamos procurar fazer o tratamento no início da infeção, particularmente naqueles que pertencem a grupos de risco, como os idosos e as pessoas com doenças subjacentes”.
A este trabalho, publicado na revista ‘Nature’, junta-se ainda a pesquisa desenvolvida pelo professor Sachdev Sidhu, da Universidade de Toronto, que também planeia levar anticorpos neutralizantes para ensaios clínicos, ainda este ano.
“Na minha opinião, quanto mais anticorpos, melhor, pois a ampliação de anticorpos, embora padrão, ainda requer tempo”, explicou, acrescentando que “ter várias opções será bom para garantir que o maior número possível de pacientes possa receber as terapias”.
Apesar de todos os esforços que estão a ser feitos no desenvolvimento de vacinas contra o novo coronavírus, há ainda muita incerteza quanto à eficácia de qualquer vacina e quanto tempo durará a proteção que confere. As respostas imunes tendem a ser mais fracas nas pessoas mais velhas, portanto, mesmo que as vacinas se tornem disponíveis no próximo ano, as infusões de anticorpos cultivados em laboratório, que protegem por vários meses consecutivos, ainda seriam uma mais-valia neste combate à pandemia.



