No primeiro semestre de 2020, na Europa, as energias renováveis contribuíram com 40% da eletricidade total, que compara com o contributo de 34% por parte dos combustíveis fósseis, segundo um relatório do grupo Ember, citado pela Bloomberg, que vem assim ‘anunciar’ o marco histórico para o setor elétrico que vê, pela primeira vez, as renováveis ganharem terreno aos combustíveis fósseis.
Um feito que já se adivinhava, tendo em conta que já desde 2017 que o consumo de energia apresenta duas tendências concorrentes: o aumento no uso de energia verde (30% na época) em detrimento da tradicional (que representaram 44%).
Mesmo num ambiente negativo como a pandemia a afetar profundamente a economia, causando uma queda de 7% na procura de eletricidade na primeira metade do ano na União Europeia (UE), a energia renovável cresceu em comparação a 2019, com um aumento de 11%, consolidando-se como uma alternativa barata. Por outro lado, a produção de combustíveis fósseis caiu 18%.
Dentro da categoria, o carvão é o mais atingido, com uma redução de 32% em toda a UE. Contudo, os números mostram que todos os combustíveis fósseis estão em queda: o carvão é seguido por gás (-6%) e a categoria ‘outros fósseis’ (-14%) diminui.
Um cenário que contrasta com os dados de energias renováveis, cujo uso na geração de eletricidade cresceu em quase todos os seus aspectos em relação ao primeiro semestre de 2019: 16% a mais para energia solar, 12% para hidroelétrica, 11% eólica e 1% para biomassa. Somente a energia nuclear reduziu, tendo sofrido uma queda de 12%.
A situação atual é “um momento simbólico na transição do setor elétrico na Europa”, sublinhou Dave Jones, analista de eletricidade da Ember, defendendo ainda que este pode ser o ponto de viragem para países como a República Checa ou Polónia, imersos num processo de descarbonização.
Durante a pandemia, com o encerramento de algumas indústrias tradicionais, acresceram algumas circunstâncias que estimularam as energias renováveis: o clima favoreceu a energia eólica e solar e, em áreas como a Península Ibérica e a Escandinávia, as condições beneficiaram a indústria hidroelétrica.













