À luz do último caso de desembarque ilegal de migrantes no Algarve, registado ao fim da tarde de ontem, terça-feira, na Ilha do Farol, concelho de Faro, o presidente do Sindicato dos Inspetores do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) considerou, em declarações ao ‘CM’, que em matéria de vigilância da costa, “mais uma vez se demonstrou que não existe, ou seja, os indivíduos foram detectados no areal e desembarcaram, não foram detectados em alto mar”
O grupo de 21 migrantes, aparentemente marroquinos, segundo as autoridades, foi intercetado já no areal da Ilha do Farol, pelas 19:45, tendo pernoitado num pavilhão em Olhão, onde se encontram à guarda do SEF e da GNR.
“Se estes amadores chegaram a este sitio, naturalmente, profissionais ligados à área do crime organizado, de tráfico de seres humanos, de tráfico de armas e de tráfico de drogas podem utilizar a nossa costa, e provavelmente até a usam, sem que as autoridades portuguesas detectem o que quer que seja”, reforçou.
Considerando que existem duas situações distintas a ter em especial conta, a vigilância no mar e os acordos de migração com o Estado marroquino e de readmissão destes cidadãos, o presidente do SEF avançou, ao ‘CM’, que as negociações com Marrocos já têm algum tempo e apontam para a criação de uma rota, de admissão de cidadãos migrantes por via legal em território nacional.
Este medida, explica, tem em conta o facto de Marrocos ter um número considerável de pessoas que pretende imigrar e a União Europeia precisa dessas pessoas, nomeadamente Portugal. “Mas o que é certo é que até ao momento nada disso foi feito e assim potencia-se este tipo de rotas, potencia-se tudo o que está à volta desta situação não permitindo inclusivé a sua devolução ao país de origem”, conclui.
Recorde-se que o Algarve tem sido procurado por migrantes ilegais como porta de entrada para a Europa, tendência que se tem acentuado no últimos meses. Desde dezembro que já foram intercetados 69 migrantes oriundos do norte de África na região.
Em meados de junho, o ministro da Administração Interna afirmou numa comissão parlamentar que Portugal “não deve cair no ridículo” ao considerar que existe uma rede de migração ilegal para o Algarve.
“Estando a falar de quatro desembarques desde dezembro de 48 pessoas devemos ter alguma dimensão do ridículo quando compararmos com aquilo que são 7.500 chegadas a Espanha desde janeiro, mesmo com uma redução significativa de chegadas verificada este ano”, precisou na altura Eduardo Cabrita, respondendo ao deputado Telmo Correia.







