Os analistas políticos de todo o espectro político estão cada vez mais alarmados com o potencial da eleição presidencial que será disputada em novembro próximo, sobre a qual um dos candidatos questiona abertamente a legitimidade dos resultados e até admite não reconhecer o veredicto final.
Após uma ronda de entrevistas com quase 20 especialistas em eleições, ex-parlamentares, estrategas políticos, juristas e historiadores, a ‘CNN’, avança que está a a generalizar-se o receio de um cenário de pesadelo em novembro, onde o habitual comportamento de desobediência das normas de Donald Trump – juntamente com os desafios sem precedentes da votação nesta era pandémica – testem os limites da democracia americana, mergulhando o país numa crise constitucional.
“Há uma margem significativa para uma crise pós-eleitoral sem precedentes neste país”, disse Larry Diamond, especialista em instituições democráticas da Hoover Institution, de inclinação conservadora.
Um cenário que se agigantou no fim de semana passado com a entrevista do atual Presidente, à Fox News, na qual deixou claro que está disposto a contestar os resultados.
Os analistas esperam que, mais do que nunca, os americanos optem por votar por correspondência este ano, o que fará com que os resultados levem mais a tempo a ser contabilizados e encerrados. Razão pela qual os especialistas já não se referem a uma “noite das eleições” mas sim a uma “semana das eleições”, acreditando que pode levar dias, talvez semanas.
E com esta tensão latente, ambas as campanhas presidenciais reservaram milhões de dólares e recrutaram advogados para as iminentes lutas legais.
Contudo, na história dos EUA não há registo de um candidato presidencial que se tenha recusado a aceitar a derrota, disseram os historiadores, nem mesmo após as duras e disputadas eleições de 1876, que sofreram uma ampla difusão de votos por ambos os partidos e foram resolvidas apenas dois dias antes da posse.
Após a decisão da Suprema Corte em Bush v.s Gore, o então vice-presidente Al Gore concedeu a eleição de 2000 e afastou-se da opinião pública.
Desta vez, Trump poderá contestar os resultados e recusar-se a ceder, seguindo um caminho de exortação dos seus colegas de partido , incitando a que vão até Washington e defendam a Casa Branca.
Contudo, os analistas, apesar de esperarem que o atual Presidente possa até reclamar sobre supostas fraudes, acabe por sair pacificamente de Washington no primeiro dia de Biden.



