Greta Thunberg é a vencedora do Prémio Gulbenkian para a Humanidade

A ativista sueca de 17 anos é a vencedora da primeira edição do prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de um milhão de euros, que vão ser aplicados no combate às alterações climáticas.

Executive Digest

A ativista Greta Thunberg venceu hoje a primeira edição do prémio Gulbenkian para a Humanidade, no valor de um milhão de euros, que vão ser aplicados no combate às alterações climáticas.

Numa mensagem áudio dirigida à cerimónia de apresentação do prémio, o presidente do júri e ex-Presidente da República Jorge Sampaio salientou que a adolescente sueca “conseguiu mobilizar as gerações mais novas para a causa do clima”.

Através da fundação com o seu nome, Greta Thunberg vai aplicar o dinheiro do prémio em ações de combate às alterações climáticas, começando pela campanha SOS Amazonia, dedicado a ajudar as populações da Amazónia a enfrentarem a pandemia da covid-19, com 100 mil euros.

Outros 100 mil euros vão ser encaminhados para a Stop Ecocide Foundation, que pretende criar a figura criminal do “ecocídio” no caso de atentados em massa contra o meio ambiente e a natureza.

Numa mensagem vídeo, Greta Thunberg, afirmou esperar que o prémio a ajude a “fazer mais pelo mundo”.

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“Um milhão de euros é mais dinheiro do que consigo imaginar”, admitiu, garantindo que irá todo para “diferentes projetos e organizações que lutam por um mundo sustentável e defendem a Natureza”.

O cientista Miguel Bastos Araújo, especialista em biogeografia e impacto das alterações climáticas na biodiversidade, que presidiu a um dos júris que decidiu a vencedora, afirmou aos jornalistas que a escolha de Greta Thunberg teve por trás três critérios: “mérito, impacto e inovação”.

“Não se trata de concordar com todas as coisas que disse”, afirmou, quando questionado sobre a dimensão polémica da ativista, atacada e desvalorizada por líderes mundiais como o norte-americano Donald Trump, salientando que o nome de Greta Thunberg foi “nomeado de forma independente por três entidades independentes e passou entre 136 candidatos”.

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Salientou que nunca na história humana “uma pessoa com 16 anos conseguiu mobilizar tantas pessoas”, principalmente pelo seu uso inovador das redes sociais, que multiplicou pelo mundo inteiro o impacto do que “começou como um ato isolado”, quando Greta Thunberg começou em 2018 a faltar às aulas para ir para junto do parlamento sueco exigir aos decisores políticos ações concretas para combater as alterações climáticas.

O responsável da Gulbenkian para a Sustentabilidade e ex-comissário europeu Carlos Moedas, frisou que a atribuição do prémio “reflete o que a luta [contra as alterações climáticas] vai ser, porque se vai polarizar entre os que querem construir e os que querem destruir o sistema, pensando que estão a criar um melhor sistema”.

“Greta quer construir”, assegurou, baseando-se no manifesto que a ativista enviou aos líderes europeus e no qual afirma que um dos objetivos do movimento que criou, o Fridays for Future, é “proteger a democracia”.

A presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Isabel Mota, afirmou que deverá ser o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, a entregar o prémio à ativista, que terá que conjugar uma vinda a Portugal com o estado do mundo face à pandemia e com um período de férias escolares, o que poderá acontecer entre novembro e janeiro do próximo ano.

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