2020: o ano dos carros usados

Num ano atípico a todos os níveis, as oportunidades começam a aparecer. São diferentes do habitual, é certo, mas existem. E a sua pode estar num carro usado.

Automonitor

Já não é novidade para ninguém que o mercado automóvel está em crise, na sequência da pandemia de Covid-19 e consequente paragem da produção e confinamento da população um pouco por todo o mundo. Segundo o último relatório da Agência Internacional da Energia, a queda global das vendas de automóveis deverá rondar os 15% – o dobro do declínio registado na crise financeira de 2008-09. Comparativamente a 2019 e em valores absolutos, trata-se de 13 milhões de novos carros que não serão vendidos, principalmente nas regiões do mundo mais afetadas pela pandemia – a Europa, os Estados Unidos e a China.

Uma exceção mais ou menos imprevisível – mas nem por isso estranha – é a dos carros elétricos, que a Agência Internacional da Energia prevê que venham a ter uma subida relativamente a 2019, passando a deter uma fatia de mais de 3% das vendas globais. Boas notícias para o ambiente, mas não muito relevantes para o mercado, dado que o crescimento deste segmento jamais compensará as perdas do sector, com consequências para todo este ano, pelo menos.



Esta onda de crise arrasta também o segmento do aluguer de automóveis, com as principais marcas a se depararem a grandes dificuldades e, em alguns casos, ao risco de não sobreviverem. No atual contexto, estas empresas não têm qualquer interesse em comprar novos automóveis, mas sim o contrário: muitas estão a considerar vender uma parte significativa das suas frotas para controlarem custos e obter alguma receita, o que poderá ter como consequência um aumento muito considerável da oferta de carros usados ao longo de 2020. E quem ganha com isto é o consumidor final.

 

Um mercado repleto de novas opções

 

Com as frotas das empresas de aluguer de carros a vender em massa, o que vai acontecer ao mercado dos usados? Primeiro que tudo e antes de mais nada, vai encher-se de novidades, em qualidade e quantidade. Automóveis que dificilmente se encontrariam num stand de usados podem agora tornar-se mais comuns, e num ano de crise extrema e com um grande aumento da oferta, do ponto de vista económico, só faz sentido que os preços desçam. E esta é a oportunidade que pode provocar um crescimento do segmento dos usados num ano em que os carros novos atravessam grandes dificuldades tanto em termos de vendas, como do lado da produção e do atraso do lançamento de novos modelos.

Comprar um carro usado que serviu antes para aluguer pode motivar algumas preocupações por parte dos consumidores, mas a verdade é que estas empresas vendem os carros ao fim de um ou dois anos de utilização e têm normas muito rígidas de manutenção – imagine o que aconteceria a um negócio de aluguer de carros se os seus principais ativos não estivessem nas melhores condições…

Por isso, se ainda pretende comprar um carro este ano e já tencionava dar uma espreitadela aos usados, não desista. É muito possível que consiga comprar melhor e mais barato do que há um ano.

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