O risco de pobreza em Portugal encolheu apenas uma décima no ano passado, estabilizando nos 17,2%, mostram dados do Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, publicados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Desde 2015 que o risco de pobreza tem vindo a diminuir no país, mas o ritmo travou ligeiramente no ano passado. A taxa de risco de pobreza correspondia, em 2018, à proporção de habitantes com rendimentos líquidos inferiores a 6,014 euros anuais. A taxa de risco de pobreza mostra a proporção de pessoas a viver em Portugal que, em 2018, viviam com menos de 501 euros por mês, 34 euros acima do que era considerado em 2017.
No ano passado, o risco de pobreza diminuiu em 0,5 pontos percentuais (p.p.) para os reformados (15,2%), mas aumentou para empregados (10,8%) e desempregados (47,5%).
O risco de pobreza para quem está empregado foi de mais 1,1 p.p. do que no ano anterior. E, apesar de o desemprego estar descer, também entre os desempregados, o risco aumentou em quase dois p.p.
Os jovens e os idosos são os menos vulneráveis. Nestes grupos, o risco de pobreza desceu de para 18,5% e 17,3%, respectivamente. Já para os adultos em idade activa subiu para 16,9%, mais 0,2 pontos percentuais (p.p.) do que em 2017 (16,7%).
Apesar do risco de pobreza infantil ter diminuído, «a presença das crianças num agregado familiar continuava a estar associada a um risco de pobreza acrescido, sobretudo no caso das famílias constituídos por um adulto com pelo menos uma criança a seu cargo (33,9%) e naquelas constituídas por dois adultos com três ou mais crianças dependentes (30,2%)», refere o INE.
Por género, o risco de pobreza desceu entre as mulheres, para 17,8%, mas manteve-se idêntico ao ano anterior no caso dos homens (16,6%).
Rendimentos com assimetrias regionais
De acordo com o INE, o risco de pobreza continua a ser mais elevado nas regiões autónomas. No ano passado, os Açores e a Madeira registavam taxas de
31,8% e 27,8%, respectivamente,
Em 2018, tal como no ano anterior, apenas a Área Metropolitana de Lisboa tinha uma taxa de risco de pobreza significativamente inferior, de 13,3%, menos 3,9 p.p. que o risco de pobreza nacional (17,2%). No Norte, a taxa foi de 18,3%.
Ainda no ano passado, a taxa de intensidade de pobreza foi de 22,4%, menos 2,1 p.p. do que em 2017 (24,5%), verificando-se uma «melhoria relativa do rendimento mediano dos mais pobres», sublinha o gabinete de estatísticas nacional.
Já o coeficiente de Gini, que mede a distribuição de rendimentos entre os mais ricos e os mais pobres, diminuiu para 31,9%, a percentagem valor mais baixa desde 2003, quando o INE começou a publicar esta série.
2,2 milhões em risco de pobreza ou exclusão social
O INE estima também que, de acordo com o indicador que conjuga as condições de risco de pobreza [monetária], de privação material severa e de intensidade laboral per capita muito reduzida, 2.215 milhares de pessoas se encontrem em risco de pobreza ou exclusão social em 2019. A taxa de pobreza ou exclusão social é idêntica à de 2017: 21,6%.
Por comparação, o risco de pobreza ou exclusão social é bastante mais elevado nas regiões autónomas dos Açores (36,7%) e da Madeira (32,2%).
Em 2019, a taxa de privação material é de 15,1% e a taxa de privação material severa é de 5,6%. 40,0% das pessoas vivem em agregados sem capacidade para pagar uma semana de férias por ano fora de casa, 33% não conseguem assegurar o pagamento imediato, sem recorrer a empréstimo, de uma despesa inesperada de 470 euros, 5,8% não têm capacidade para pagar atempadamente rendas, encargos ou despesas correntes e 5,3% não têm automóvel.
O Inquérito às Condições de Vida e Rendimento, realizado pelo INE, foi publicado pela primeira ez em 2003. Nesse ano, a taxa de pobreza era de 20,4%, percentagem que foi descendo até 2008, quando atingiu os 17,9%. Em 2017 atingiu-se a taxa mais baixa (17,3%) desde que é feito o relatório.
*Última actualização às 12:05




