Vandalismo em Lisboa: três mesquitas e um centro islâmico atacados com mensagens xenófobas

De acordo com o Sete Margens, as mensagens incluíam frases como “Reconquistar Portugal” e “remigração ou inquisição”, acompanhadas de uma cruz vermelha, símbolo que remete a discursos extremistas e de ódio.

Executive Digest
Outubro 7, 2025
19:06

Pelo menos três mesquitas e um centro cultural islâmico da região de Lisboa foram vandalizados durante a noite de 29 para 30 de setembro, com cartazes que exibiam mensagens de teor xenófobo. De acordo com o jornal Sete Margens, as mensagens incluíam frases como “Reconquistar Portugal” e “remigração ou inquisição”, acompanhadas de uma cruz vermelha, símbolo que remete a discursos extremistas e de ódio.

Na Amadora, o imã Abdul Azim, de 29 anos, confirmou ao Sete Margens que as câmaras de vigilância da mesquita captaram um homem vestido de negro a colar os cartazes por volta das 23h30. O vandalismo só foi descoberto na manhã seguinte, pouco antes da oração da alvorada, por volta das 6h30.

O líder religioso, nascido em Portugal e filho de pais moçambicanos, lamentou o episódio e destacou o aumento preocupante de discursos racistas: “há uma onda de racismo crescente”, afirmou. Abdul Azim explicou ainda que muitos fiéis, ao verem os cartazes, não compreenderam de imediato o conteúdo ameaçador das mensagens. A mesquita da Amadora acolhe diariamente entre 50 e 60 pessoas, número que sobe para cerca de 600 durante a oração de sexta-feira (Zuhr), o que agrava o sentimento de insegurança entre os fiéis.

Além da mesquita da Amadora, foram também vandalizadas a Mesquita Central de Lisboa e a mesquita de Odivelas. Todos os locais apresentaram queixa na PSP. No entanto, o Centro Cultural Colinas do Cruzeiro, que também foi alvo de cartazes, optou por não apresentar queixa formal, uma vez que este foi o primeiro incidente do género.

O xeque Zabir Edriss, responsável por este centro cultural, sublinhou que o espaço mantém uma convivência pacífica com os vizinhos e promove diversas atividades culturais e educativas — como aulas de árabe, cultura islâmica e português para estrangeiros. Apesar do ato de vandalismo, Edriss destacou a importância da serenidade e do diálogo como resposta ao ódio.

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