Uma melhor gestão das PMEs, precisa-se

Por Maria Rosa Borges, Economista e Professora do ISEG

As estatísticas da PORDATA permitem fazer uma caracterização breve, mas objetiva, do universo empresarial português. Os últimos dados publicados, relativos a 2019, permitem contabilizar cerca de 1350 empresas de grande dimensão, representando 0,1% do total das empresas portuguesas e constatar a existência de uma esmagadora maioria de pequenas e médias empresas (PMEs), cerca de 1,333 milhões, que correspondem aos remanescentes 99,9%. Em termos de emprego, as grandes empresas representavam, no mesmo ano, perto de 1 milhão de trabalhadores e as PMEs davam emprego a 3,3 milhões de indivíduos. Quanto ao volume médio de negócios, as PMEs contribuíam com 186 milhões de euros em claro contraste com as grandes empresas que somavam, neste indicador, cerca de 141 mil milhões de euros. Esta realidade, permite destacar, por um lado, o papel das grandes empresas como motor indiscutível do crescimento económico e, por outro, que as pequenas e médias empresas representam uma parte proporcionalmente mais significativa do emprego, mas têm um contributo sofrível para a economia em termos de volume de negócios, sendo estes dois aspetos determinantes das modestas condições de vida dos portugueses. Daí que, a melhoria da performance, o aumento da competitividade e a promoção da sustentabilidade destas empresas constituam fatores decisivos para o nível de emprego e melhoria dos rendimentos das famílias. Neste contexto, afigura-se como de primordial importância a forma como estas empresas são geridas.

Nas empresas de grande dimensão (e também em algumas médias) as competências de gestão estão institucionalizadas de uma forma clara na cultura da empresa. A escolha dos responsáveis obedece tendencialmente a critérios de competência técnica, ainda que possa haver exceções, que no seio das equipas se diluem e, regra geral, os recursos humanos têm formação elevada. Para além da qualidade do capital humano, também o planeamento estratégico se revela como um importante instrumento da gestão, permitindo definir os objetivos, planear as ações e promover o alinhamento das funções desempenhadas pelos colaboradores com as ações planeadas. Realizado o planeamento estratégico, segue-se o processo de implementação da estratégia, o qual é acompanhado de monitorização constante dos desvios e de um eventual ajustamento dos objetivos previamente definidos. Regra geral, estas empresas têm sistemas evoluídos de avaliação de desempenho cujo enfoque se coloca no grau de cumprimento das tarefas atribuídas aos colaboradores.

Nas PMEs, com maior ênfase nas empresas pequenas, os modelos de gestão são praticamente inexistentes. Estas empresas são frequentemente de liderança familiar, geridas sem o conhecimento das melhores práticas de gestão, sem experiência, sem qualquer tipo de planeamento estratégico e sem regras de avaliação de desempenho formalizadas, claras e incentivadoras o que, juntamente com fatores económicos negativos, de que se salientam, problemas de implantação no mercado e de satisfação do cliente, lucros insuficientes, dívidas excessivas, fraca produtividade dos recursos humanos, recursos próprios escassos e dificuldades de acesso ao crédito, tornam estas empresas frágeis e mais vulneráveis ao ciclo económico.

É, por isso, fundamental dotar as PMEs de modelos de gestão baseados no elevado profissionalismo, recorrendo a um melhor e mais moderno instrumental técnico de auxílio à gestão e a recursos humanos mais capacitados. O Estado, as associações de empresas e as organizações profissionais podem e devem dar aqui um contributo decisivo, promovendo a formação dos gestores e dos colaboradores. De outra forma, dificilmente será possível criar condições para a existência de pequenas e médias empresas saudáveis, rentáveis e sustentáveis, capazes de pagar melhores remunerações e melhorar a vida dos portugueses.


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