A mais recente ação de Donald Trump, com o objetivo de pressionar e forçar Vladimir Putin a sentar-se à mesa das negociações para pôr fim à guerra na Ucrânia, já encontrou eco na Rússia. A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Maria Zakharova, afirmou esta quinta-feira que as sanções contra as petrolíferas russas são uma medida “extremamente contraproducente” se o objetivo for resolver o conflito por meios diplomáticos.
Moscovo, que ainda não anunciou qualquer contramedida à decisão de Trump de sancionar as duas maiores petrolíferas russas, a Rosneft e a Lukoil, responsáveis por metade da produção do país, declarou que os objetivos na Ucrânia se mantêm os mesmos. E que o importante é resolver “as raízes do conflito”, uma exigência que Putin repete sem parar nas suas justificações históricas.
A resposta do ex-presidente Dmitry Medvedev foi mais beligerante, criticando os “inimigos” da Rússia nas redes sociais. Numa mensagem publicada na sua conta de ‘Telegram’, acusou Washington de se envolver num esforço de guerra ao cancelar a cimeira de Budapeste e de impor sanções às empresas petrolíferas russas.
“Os Estados Unidos são nossos inimigos, e o seu charlatão ‘pacificador’ declarou guerra à Rússia”, disse Medvedev, também vice-presidente do Conselho de Segurança. “As decisões tomadas são um ato de guerra contra a Rússia. E agora Trump alinhou completamente com a Europa desequilibrada”, acrescentou, publicada pouco depois de a UE ter anunciado a sua 19ª série de sanções contra Moscovo.
O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que as sanções às empresas petrolíferas russas eram uma resposta à “falta de compromisso sério da Rússia com um processo de paz” para pôr fim à guerra “sem sentido” na Ucrânia: “Aumentam a pressão sobre o setor energético russo e degradam a capacidade do Kremlin de angariar receitas para a sua máquina de guerra e apoiar a sua economia doente.”
Esta é uma mudança significativa por parte de Trump, uma vez que, pela primeira vez no seu segundo mandato, decidiu finalmente punir economicamente a Rússia. “É o momento certo”, explicou.
A China, um dos principais aliados da Rússia, lamentou as sanções “unilaterais” porque “não têm qualquer fundamento no direito internacional e não são autorizadas pelo Conselho de Segurança da ONU”.
O Governo russo tentou minimizar a importância do mecanismo de pressão. “Ele não representará nenhum problema específico”, garantiu a porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros. “O nosso país desenvolveu uma sólida imunidade às restrições ocidentais e continuará a desenvolver com confiança o seu potencial económico, incluindo o político.”














