UE quer antecipar fim das compras de GNL russo: novo pacote de sanções europeias segue exigências de Trump

Proposta define as medidas mais recentes que a União Europeia imporia à Rússia como parte do seu 19º pacote de sanções desde a invasão de Vladimir Putin em 2022

Francisco Laranjeira
Setembro 23, 2025
12:36

A Comissão Europeia planeia eliminar todas as compras de gás natural liquefeito (GNL) russo até 2026 — um ano antes do planeado — e reprimir os bancos e canais de criptomoedas de Moscovo que violam as sanções, avançou esta terça-feira o jornal ‘POLITICO’.

A proposta define as medidas mais recentes que a União Europeia imporia à Rússia como parte do seu 19º pacote de sanções desde a invasão de Vladimir Putin em 2022. O pacote concentra-se nas redes financeiras, exportações de energia e rotas comerciais clandestinas da Rússia, marcando os mais recentes esforços europeus para drenar o cofre de guerra do Kremlin.

O objetivo da proibição do GNL russo é “reduzir ainda mais as receitas da Rússia com a exportação de combustíveis fósseis, aumentar os custos das suas ações ilegais na Ucrânia e colocar pressão máxima sobre a Rússia para terminar a sua guerra de agressão contra a Ucrânia”, diz o texto.

O pacote, anunciado na passada sexta-feira pela presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, chega poucos dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter pressionado novamente a Europa para que pare de comprar energia russa. No entanto, é expectável que enfrente forte oposição da Hungria e Eslováquia: recorde-se que qualquer pacote de sanções requer o apoio unânime das capitais da UE.

No entanto, no centro da proposta está a intenção da Comissão de abandonar o GNL russo um ano antes do previsto inicialmente, impondo agora o final de 2026 para contratos de longo prazo, enquanto dá seis meses após a entrada em vigor do pacote para acordos de curto prazo.

A UE está atualmente a negociar um projeto de lei separado que acabaria com todas as importações de GNL russo para o bloco até ao final de 2027. As novas sanções vão um passo além, visto que a proposta legal aborda apenas o fornecimento físico ao bloco, e não as compras.

Além de impor restrições aos bancos russos, a UE também procura, pela primeira vez, atingir plataformas de criptomoedas e proibir transações, fechando uma brecha usada para canalizar dinheiro de volta para a Rússia. Empresas europeias, por sua vez, serão proibidas de realizar negócios com portos fora da UE se estes forem usados ​​para negociar tecnologia militar, como mísseis, ou para burlar o teto de preços do petróleo do G7 imposto pelo bloco, afirma o texto.

Bruxelas também quer restringir as zonas económicas especiais na Rússia, que oferecem tratamento fiscal preferencial a empresas estrangeiras para atrair investimentos. Segundo a proposta, empresas da UE seriam proibidas de investir nessas zonas.

O rascunho do texto, datado de 19 de setembro, também proíbe as empresas de ressegurar aeronaves e embarcações russas antigas durante cinco anos após a sua venda.

Além disso, o texto acrescenta controlos de exportação a outras 45 empresas consideradas cooperantes na evasão de sanções. Entre elas, estão 12 chinesas, duas tailandesas e três indianas que permitiram à Rússia contornar as sanções do bloco. Por último, num movimento simbólico, o executivo da UE também propôs proibir a prestação de “serviços diretamente relacionados às atividades turísticas na Rússia”, conclui o texto.

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