O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, indicou 2027 como uma data possível para a adesão do país à União Europeia, afirmando que Kiev estará tecnicamente preparada até esse momento. A avaliação baseia-se em análises de diplomatas ucranianos e foi tornada pública em declarações recentes à imprensa, segundo o ‘EuroMaidan Press’.
Zelensky sublinhou que a Ucrânia pretende concluir todos os capítulos de negociação necessários para alinhar a legislação nacional com o direito comunitário até ao final de 2026, um passo essencial no processo de integração europeia.
Guerra e bloqueio russo aceleram ambição europeia
O presidente ucraniano justificou a necessidade de um calendário acelerado com o contexto geopolítico singular do país. Zelensky argumentou que, ao contrário de outros candidatos à adesão, a Ucrânia enfrenta uma guerra em curso e uma força hostil nas suas fronteiras, capaz de tentar bloquear o processo mesmo em tempo de paz.
De acordo com o ‘EuroMaidan Press’, Zelensky afirmou que a Rússia não quer que a Ucrânia se torne um país plenamente europeu, nem que integre a União Europeia ou a NATO, estando interessada no mercado, no potencial económico e na população ucraniana. Para Kiev, avançar rapidamente no processo de adesão é visto como uma forma de garantir o futuro político e estratégico do país.
Reformas em curso e negociações complexas
O chefe de Estado reconheceu que o caminho é exigente, referindo que estão em curso várias reformas estruturais, bem como diálogos complexos sobre quotas e comércio. O processo foi descrito como longo, apesar da vontade política de o acelerar.
A 27 de janeiro, Zelensky reiterou publicamente o objetivo de ver a Ucrânia integrada na União Europeia até 2027. A comissária europeia para o Alargamento, Marta Kos, respondeu que muitos Estados-membros gostariam de ver a Ucrânia aderir ao bloco nesse horizonte temporal, embora tenha admitido que os prazos concretos continuam incertos.
Apoios e resistências dentro da União Europeia
Nem todas as capitais europeias partilham o mesmo otimismo. O chanceler alemão, Friedrich Merz, considerou esses prazos “impossíveis”, lembrando que o cumprimento integral dos critérios de adesão costuma demorar vários anos.
Mais contundente foi o primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, que declarou que Budapeste continuará a bloquear a adesão da Ucrânia à União Europeia “por mais 100 anos” e rejeitará qualquer transferência de verbas do orçamento comunitário para Kiev. A Hungria tem bloqueado a abertura de grupos de negociação desde 2025.
Apesar disso, o vice-primeiro-ministro ucraniano para a Integração Europeia e Euro-Atlântica, Taras Kachka, afirmou anteriormente que a Ucrânia poderá cumprir todos os requisitos da UE até 2027 e que o Governo continuará a procurar um consenso com a Hungria.
Bruxelas estuda via acelerada
Este mês, a agência ‘Reuters’ noticiou que a Comissão Europeia está a preparar um procedimento simplificado para a adesão da Ucrânia à União Europeia. De acordo com esse modelo, Kiev poderia perder alguns direitos reservados aos membros plenos do bloco, mas beneficiaria de uma integração mais rápida, numa tentativa de responder ao contexto excecional criado pela guerra.


















