Ucrânia: os três pontos de atrito que podem fazer avançar (ou cair…) o acordo de paz

Apesar de admitir que “ainda persistem alguns pontos de discordância”, Donald Trump tem elogiado o “tremendo progresso” alcançado pela equipa encarregada de negociar o fim da guerra na Ucrânia

Francisco Laranjeira
Novembro 26, 2025
13:25

Apesar de admitir que “ainda persistem alguns pontos de discordância”, Donald Trump tem elogiado o “tremendo progresso” alcançado pela equipa encarregada de negociar o fim da guerra na Ucrânia: o secretário de Estado americano, Marco Rubio, também reforçou esta mensagem após conversações “muito positivas” em Genebra, insistindo que os obstáculos restantes “não são insuperáveis”.

De acordo com a ‘CNN’, fontes americanas chegaram a sugerir, após reuniões paralelas em Abu Dhabi, que “os ucranianos concordaram com o acordo de paz”, com apenas “detalhes menores” por acertar. No entanto, uma fonte ucraniana de alto nível contrapõe esta narrativa e garante que há ainda “lacunas significativas” entre as exigências apresentadas por Washington e aquilo que Kiev está disposta a aceitar.

A mesma fonte reconhece que existe “consenso” sobre a maioria dos 28 pontos da proposta de paz americana divulgada na última semana. Mas sublinha que permanecem três questões centrais que podem definir o sucesso – ou o colapso – das negociações.

Territórios, forças armadas e NATO: os três impasses

O primeiro ponto crítico diz respeito à possibilidade de a Ucrânia ceder territórios estratégicos no Donbass, anexados mas ainda não controlados plenamente pela Rússia. Planos anteriores previam transformar estas zonas em áreas desmilitarizadas administradas por Moscovo. Embora haja “certos progressos”, Kiev não tomou qualquer decisão definitiva sobre o texto preliminar.

O segundo impasse centra-se na proposta americana para limitar o exército ucraniano a 600 mil militares. Foi entretanto discutido um número superior, mas Kiev continua a exigir alterações antes de aceitar qualquer limitação estrutural das suas Forças Armadas.

Em terceiro lugar, mantém-se inalterável a recusa ucraniana em abdicar da ambição de integrar a NATO. Esta exigência, considerada uma “linha vermelha” por Kiev, criaria um “mau precedente” e daria à Rússia um veto indireto sobre a política de segurança ocidental.

Estes três pontos – território, capacidade militar e adesão à NATO – são precisamente as condições que Moscovo coloca para aceitar um cessar-fogo duradouro. Mas representam igualmente os pilares fundamentais da resistência ucraniana, sustentada por anos de combate e sacrifício humano. Ceder formalmente em qualquer um deles implicaria riscos políticos significativos para a liderança em Kiev.

A distância entre a versão otimista apresentada pela administração Trump e a realidade descrita pela fonte ucraniana permanece, assim, substancial. E está longe de se resumir a “alguns pontos remanescentes” ou “detalhes menores a resolver”.

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