Trump garante “ter o direito” de liderar Conselho de Paz “para toda a vida”

Órgão foi criado pela sua própria administração como parte do plano americano para o futuro do enclave palestiniano

Francisco Laranjeira
Janeiro 23, 2026
13:00

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que “tem o direito” de continuar a liderar o Conselho de Paz de Gaza para além do seu segundo mandato na Casa Branca, admitindo mesmo a possibilidade de exercer essa função “para toda a vida”. O órgão foi criado pela sua própria administração como parte do plano americano para o futuro do enclave palestiniano.

As declarações foram feitas a bordo do ‘Air Force One’, quando Trump foi questionado sobre a eventual continuidade à frente do organismo de transição para Gaza após o fim da 47ª administração americana. “Tenho o direito de ser assim, se eu quiser”, respondeu, acrescentando que ainda não tomou uma decisão definitiva, mas que “eles gostariam” que continuasse no cargo. Segundo a ‘EuropaPress’, o chefe de Estado sublinhou que, em teoria, o mandato poderá ser vitalício, embora tenha admitido não saber se pretende assumir essa responsabilidade a longo prazo.

Trump mostrou-se confiante no papel do Conselho de Paz, assegurando que a entidade “fará um ótimo trabalho” em Gaza e que poderá mesmo estender a sua atuação a outras regiões. O presidente americano defendeu ainda que o organismo poderá vir a trabalhar em articulação com as Nações Unidas, instituição que considera ter “um grande potencial”, referindo que essa cooperação seria benéfica para ambas as partes.

Horas antes, no Fórum Económico Mundial em Davos, Trump já havia sugerido que o Conselho de Paz e a ONU poderiam vir a ser “combinados”, defendendo uma eventual expansão global do organismo após a intervenção em Gaza. De acordo com a ‘EuropaPress’, em dias anteriores o presidente chegou a admitir que a nova entidade poderia mesmo substituir as Nações Unidas, hipótese que foi desvalorizada pela própria ONU, que salientou o caráter ainda indefinido das funções do Conselho.

Apesar das críticas recorrentes às Nações Unidas, Trump reconheceu que não manteve contactos diretos com a organização e reiterou que esta “não correspondeu às expectativas”, evocando desta vez o que descreveu como “oito guerras” resolvidas sob a sua liderança. Entre os conflitos mencionados estão os da República Democrática do Congo, Arménia e Azerbaijão, Camboja e Tailândia, bem como a escalada registada no ano passado entre a Índia e o Paquistão, embora alguns desses dossiês permaneçam ativos ou tenham sido solucionados por via de negociações diretas entre as partes envolvidas.

No Médio Oriente, a situação mantém-se volátil. Israel continua a realizar ataques quase diários contra Gaza, apesar do cessar-fogo em vigor, enquanto as forças israelitas relatam incursões contra posições no enclave palestiniano. A criação do Conselho de Paz insere-se na proposta dos Estados Unidos para o período pós-conflito em Gaza, cuja primeira fase arrancou em outubro de 2025, após um acordo entre Israel e o Hamas, acompanhado por um cessar-fogo.

Na semana passada, Trump anunciou o início da segunda fase do plano, sem adiantar pormenores. As autoridades de Gaza, controladas pelo Hamas, indicam que desde o início do cessar-fogo foram registadas 477 mortes e 1.301 feridos. No total, a ofensiva lançada por Israel após os ataques de 7 de outubro de 2023 provocou mais de 71.562 mortos e 171.379 feridos no enclave palestiniano.

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