Trump admite ter de escolher entre controlo da Gronelândia e permanência na NATO

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington poderá vir a ter de optar entre manter a aliança da NATO ou assegurar o controlo da Gronelândia, intensificando a pressão norte-americana sobre o território situado no Círculo Polar Ártico e atualmente autónomo no seio do Reino da Dinamarca.

Pedro Gonçalves
Janeiro 9, 2026
18:32

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que Washington poderá vir a ter de optar entre manter a aliança da NATO ou assegurar o controlo da Gronelândia, intensificando a pressão norte-americana sobre o território situado no Círculo Polar Ártico e atualmente autónomo no seio do Reino da Dinamarca.

As declarações foram feitas numa entrevista publicada na quinta-feira, na qual Trump voltou a colocar em causa a relevância da NATO sem a presença determinante dos Estados Unidos, sugerindo que a aliança perderia força caso Washington deixasse de assumir o papel central na sua defesa.

“Penso que nos daremos sempre bem com a Europa, mas quero que eles se preparem. Se olharmos para a NATO, posso dizer que a Rússia não está preocupada com nenhum outro país a não ser nós”, afirmou o líder norte-americano.

“Penso que nos daremos sempre bem com a Europa, mas quero que eles se preparem”, afirmou o presidente norte-americano. Referindo-se diretamente à NATO, acrescentou: “Se olharmos para a NATO, posso dizer que a Rússia não está preocupada com nenhum outro país a não ser nós”.

Na mesma entrevista, concedida ao New York Times, Donald Trump afirmou que o seu sentido pessoal de certo e errado é a única verdadeira limitação à sua autoridade para empregar a força militar dos Estados Unidos a nível global. As declarações surgem dias depois de ter ordenado a operação que levou à remoção de Nicolás Maduro do poder na Venezuela, bem como de ter emitido avisos e ameaças dirigidas a vários países.

“A minha própria moralidade, a minha própria mente é a única coisa que me pode parar”, afirmou Trump, quando questionado sobre eventuais restrições legais ou institucionais ao uso da força militar.

O presidente foi ainda mais longe ao minimizar o papel do direito internacional. “Não preciso do direito internacional”, disse, antes de acrescentar que precisa de o seguir, embora tenha sugerido que a sua definição permanece pouco clara. Ainda assim, sublinhou: “Não estou a tentar magoar as pessoas”.

Apesar de se descrever como um “presidente da paz” e de ter manifestado interesse em receber o Prémio Nobel da Paz, Trump autorizou, desde o início do seu segundo mandato, ataques militares no Irão, Iraque, Nigéria, Somália, Síria, Iémen e Venezuela, de acordo com o histórico referido na entrevista.

Após a captura de Nicolás Maduro, o presidente norte-americano emitiu também avisos à Colômbia e voltou a reforçar as suas exigências relativamente à Gronelândia, território que, apesar de autónomo, integra o Reino da Dinamarca, país membro da NATO.

Donald Trump, que construiu a sua carreira no setor imobiliário, voltou a justificar a sua posição sobre a Gronelândia com argumentos de natureza pessoal e estratégica. “O que eu sinto que é psicologicamente necessário para o sucesso”, declarou, ao explicar porque considera que o território deve ficar sob controlo dos Estados Unidos.

Tanto o governo dinamarquês como o executivo da Gronelândia rejeitaram de forma inequívoca as propostas norte-americanas para a compra ou tomada da ilha.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, foi clara ao afirmar esta semana que uma tentativa militar de tomar a Gronelândia significaria o fim da NATO.

A posição dinamarquesa foi reforçada por uma declaração conjunta assinada pelos líderes de França, Alemanha, Itália, Polónia, Espanha, Reino Unido e Dinamarca, que sublinharam que qualquer decisão sobre o futuro da Gronelândia cabe exclusivamente às partes envolvidas.

“A Gronelândia pertence ao seu povo. Cabe à Dinamarca e à Gronelândia, e apenas a eles, decidir sobre questões relativas à Dinamarca e à Gronelândia”, afirmaram os líderes europeus no comunicado.

As declarações de Trump voltam, assim, a gerar forte tensão transatlântica, colocando em causa a coesão da NATO e levantando preocupações quanto ao futuro das relações entre os Estados Unidos e os seus aliados europeus.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.