A Polícia Judiciária (PJ) já deteve, desde o início de 2025, um total de 34 pessoas procuradas ao abrigo de Mandados de Detenção Internacional (MDE), com vista a extradição. O número supera o registado em igual período do ano passado, quando entre janeiro e agosto tinham sido capturados 29 foragidos. Os dados foram avançados pelo Jornal de Notícias.
O caso mais recente ocorreu no Alentejo, onde a PJ de Vila Real localizou e prendeu Francismara Vasconcelos Machado, advogada brasileira de 50 anos, que se encontrava em férias em Moura. A mulher tinha sido condenada no passado dia 13 de agosto, no Brasil, a 25 anos de prisão pela morte do companheiro, Mateus Pereira de Campos, motorista de TVDE assassinado a tiro em 2019 no Rio Grande do Sul.
Segundo a acusação julgada no Tribunal de Vacaria, Francismara terá encomendado o homicídio, praticado por um homem conhecido pela alcunha de “Gato”, já sentenciado a 29 anos de prisão. A vítima, cujo corpo foi encontrado em decomposição 15 dias após o desaparecimento, apresentava sinais de tortura, mãos atadas e duas perfurações de bala. A Justiça brasileira emitiu de imediato um MDE e uma “Red Notice” da Interpol, que levaram à cooperação internacional e à captura em Portugal.
Radicada na Maia há cerca de três anos, a mulher levava uma vida aparentemente discreta, tendo abandonado a advocacia para se dedicar à produção de bolos caseiros. Apesar de condenada, nunca compareceu ao julgamento no Brasil, sendo representada apenas pelo advogado de defesa. A PJ confirmou que, após a detenção, será hoje apresentada ao Tribunal da Relação do Porto para decisão sobre a extradição.
Francismara, que se declara inocente, é o mais recente exemplo de fugitivos que tentam usar Portugal como refúgio. Nos últimos meses, a PJ tem registado um aumento de pedidos de cooperação internacional para cumprimento de penas e investigações em curso, revelando o papel central do país nas redes de justiça criminal transnacional.
O advogado da detida, Miguel Teixeira, escusou-se a prestar declarações ao Jornal de Notícias, alegando que a sua cliente ainda não tinha sido ouvida pelo juiz.














