Três cenários para a guerra com o Irão — e o risco global que pode escapar ao controlo dos EUA

Presidente americano, Donald Trump, indicou inicialmente que o conflito poderia durar entre quatro a cinco semanas, mas admitiu que “poderia prolongar-se por muito mais tempo”

Francisco Laranjeira

Dezassete dias após o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e o Irão, a principal questão que domina Washington e os mercados globais é simples: quando terminará a guerra? A análise da revista ‘Newsweek’ aponta para um cenário de incerteza estratégica, com mensagens contraditórias da administração americana e riscos crescentes para a estabilidade energética global.

O presidente americano, Donald Trump, indicou inicialmente que o conflito poderia durar entre quatro a cinco semanas, mas admitiu que “poderia prolongar-se por muito mais tempo”, apesar de considerar que os objetivos militares já estão “muito à frente da meta”. A ambiguidade mantém-se. “Vamos acabar com este conflito no nosso tempo”, afirmou o secretário da Defesa, Pete Hegseth, sublinhando que a decisão final dependerá exclusivamente da Casa Branca.



Apesar das declarações de vitória antecipada, os combates continuam e o Irão mantém ataques com mísseis e drones na região, aumentando a tensão no Golfo Pérsico. A situação tornou-se particularmente sensível no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Trump já apelou a aliados — incluindo Reino Unido, França, Japão, Coreia do Sul e até a China — para enviarem forças navais que garantam a segurança da navegação.

No entanto, a resposta internacional tem sido cautelosa. Governos europeus exigem maior clareza sobre os objetivos da guerra antes de se comprometerem militarmente, refletindo a incerteza em torno da estratégia americana.

A evolução do conflito poderá seguir três cenários distintos, segundo a análise citada pela ‘Newsweek’.

1º Guerra curta

O primeiro aponta para uma guerra curta, seguida de uma declaração de vitória por parte de Washington. Ataques a infraestruturas militares e energéticas iranianas, incluindo instalações ligadas à exportação de petróleo, podem permitir aos EUA argumentar que neutralizaram a ameaça. Nesse caso, o conflito poderia terminar em poucas semanas.

Contudo, reabrir o Estreito de Ormuz poderá revelar-se mais difícil do que a campanha militar inicial. O Irão mantém capacidade para perturbar a navegação com minas navais, drones e sistemas de mísseis, o que poderá exigir patrulhas prolongadas e uma coligação internacional.

Os impactos já são visíveis nos mercados. Analistas do Goldman Sachs estimam que o fluxo de petróleo poderá cair para cerca de 10% dos níveis normais durante várias semanas. Nesse cenário, o preço do barril de Brent poderá atingir cerca de 98 dólares (aproximadamente 90 euros) no curto prazo, podendo subir para 110 dólares (cerca de 101 euros) caso as perturbações persistam.

Cessar-fogo negociado

O segundo cenário passa por um cessar-fogo negociado. A capacidade do Irão de afetar o fornecimento global de energia poderá pressionar potências como a Europa e a China a impulsionar negociações diplomáticas. Um acordo permitiria estabilizar a região, ainda que com concessões de ambos os lados.

Conflito alargado

O terceiro cenário, considerado o mais preocupante, aponta para um conflito prolongado e alargado a toda a região. O Irão continua a atacar alvos no Golfo e em Israel, aumentando o risco de escalada. Neste contexto, a guerra poderá durar meses — ou mais — sobretudo se os Estados Unidos ampliarem os objetivos militares.

As consequências económicas seriam significativas. Um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz poderia levar a contrações económicas de até 14% em países como o Qatar e o Kuwait, enquanto economias como a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos também sofreriam impactos relevantes.

O desfecho do conflito dependerá, em grande medida, da capacidade de estabilizar a navegação no Estreito de Ormuz. Para Washington, garantir a segurança deste corredor estratégico seria suficiente para declarar vitória. Caso contrário, a guerra poderá arrastar-se num cenário de elevada incerteza global.

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