O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pareceu confirmar que a Rússia suspendeu temporariamente os ataques a Kiev e à infraestrutura energética ucraniana, durante uma reunião de gabinete realizada esta quinta-feira na Casa Branca. As declarações surgem num contexto de semanas de bombardeamentos intensos que agravaram o risco de uma crise humanitária em plena vaga de frio extremo.
De acordo com o ‘Kyiv Post’, os ataques russos ao setor energético ucraniano têm provocado blackouts prolongados em várias regiões do país, com especial impacto na capital. As temperaturas negativas e a destruição sistemática de infraestruturas críticas colocaram milhares de civis numa situação de elevada vulnerabilidade.
“Eles nunca sentiram um frio assim. E eu pedi pessoalmente ao presidente Putin que não disparasse contra Kiev e várias cidades vizinhas durante uma semana. Ele concordou com isso, e devo dizer que foi muito bom”, afirmou Trump, citado pelo ‘Kyiv Post’.
Ordens alegadas apontam para pausa nos bombardeamentos energéticos
Os primeiros sinais de uma possível interrupção dos ataques surgiram na manhã desta quinta-feira, através do blogger pró-Kremlin Vladimir Romanov. Segundo este, uma ordem interna russa determinaria a exclusão de ataques a alvos em Kiev, na região de Kiev e, de forma mais ampla, em toda a Ucrânia, quando se tratasse de infraestruturas energéticas.
O texto atribuído à alegada ordem refere a suspensão de ataques a subestações elétricas, centrais térmicas e hidroelétricas, instalações de armazenamento de gás, depósitos de petróleo e reservas de combustível, com início a 28 de janeiro de 2026 e validade até novas instruções. Romanov indicou que a ordem estaria em vigor, pelo menos, até 3 de fevereiro.
Pouco depois, bloggers ucranianos que acompanham o conflito afirmaram que Kiev teria emitido uma ordem paralela para suspender ataques à infraestrutura energética russa, embora não exista confirmação oficial de nenhuma das partes.
Conversações diplomáticas ganham novo fôlego
A reunião na Casa Branca contou também com a presença de Steve Witkoff, enviado especial de Trump, que visitou recentemente Moscovo a pedido do presidente russo. Witkoff afirmou que estão praticamente concluídos dois acordos: um protocolo de segurança e um acordo de prosperidade.
Segundo explicou, este último estará ligado a um “Plano de Prosperidade” apoiado pelos Estados Unidos, destinado a promover investimentos no período pós-guerra. Esse plano foi um dos principais temas discutidos nas negociações trilaterais entre os Estados Unidos, a Ucrânia e a Rússia, realizadas em Abu Dhabi no fim de semana anterior.
Diplomatas europeus descreveram essas conversações ao ‘Kyiv Post’ como o envolvimento mais sério entre Moscovo e Kiev desde o início da invasão em grande escala. A Ucrânia confirmou que, ainda antes das reuniões em Abu Dhabi, tinha concordado com um pacote de garantias de segurança pós-guerra com os Estados Unidos.
Witkoff adiantou ainda que as conversações trilaterais entre as delegações dos três países deverão prosseguir dentro de cerca de uma semana, mantendo em aberto a possibilidade de novos entendimentos diplomáticos.














