Tradicional sistema de semáforos com os dias contados? Era dos carros autónomos pode trazer uma nova cor

Sistema aproveita a capacidade destes veículos de comunicarem entre si e com os sistemas de tráfego, permitindo que, em situações de elevada presença de carros autónomos, a luz branca coordene os movimentos e reduza os tempos de espera

Francisco Laranjeira
Novembro 23, 2025
20:30

Um estudo da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, apontou para a criação de um semáforo com luz branca destinado a veículos autónomos, capaz de agilizar a circulação e melhorar o fluxo de trânsito em cruzamentos.

A investigação, publicada pelo jornal ‘El Economista’, sublinhou que o sistema aproveita a capacidade destes veículos de comunicarem entre si e com os sistemas de tráfego, permitindo que, em situações de elevada presença de carros autónomos, a luz branca coordene os movimentos e reduza os tempos de espera.

Segundo o professor Ali Hajbabaie, um dos autores do estudo e docente de engenharia civil, de construção e ambiental na Universidade Estadual da Carolina do Norte, “a luz branca também incorpora informações para que os condutores humanos saibam o que fazer”. Quando o trânsito é maioritariamente composto por veículos conduzidos por humanos, o semáforo mantém o padrão tradicional vermelho-amarelo-verde, delegando o controlo aos veículos autónomos apenas em determinados momentos.

O conceito distingue-se de testes anteriores, em que a gestão de semáforos brancos era centralizada e todos os dados eram enviados para um centro de controlo. O novo modelo propõe um sistema distribuído, em que os próprios veículos autónomos coordenam a travessia do cruzamento. As simulações realizadas pela equipa de Hajbabaie revelaram que, em tráfego com 10% a 30% de carros autónomos, o fluxo melhora ligeiramente, enquanto acima de 30% esta otimização chega a reduzir os tempos de espera em 10,7%, aumentando a eficiência na circulação.

Apesar dos resultados promissores, o estudo reconheceu os desafios de implementação. A adaptação de todos os semáforos e a falta de maturidade tecnológica dos veículos autónomos tornam improvável a adoção generalizada do sistema a curto prazo. Para Hajbabaie, a prioridade continua a ser desenvolver soluções que permitam a coexistência segura entre veículos autónomos e conduzidos por humanos, num contexto urbano cada vez mais tecnológico e complexo.

O estudo reforçou, segundo o ‘El Economista’, que a transição para um mundo de tráfego totalmente autónomo será gradual e exigirá estratégias inovadoras, regulamentação adequada e uma adaptação progressiva da infraestrutura urbana.

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