Trabalhadores da Base das Lajes podem pedir adiantamento dos salários a partir desta segunda-feira

Na passada quarta-feira, o Governo dos Açores autorizou o Instituto da Segurança Social a celebrar contratos de financiamento junto da banca até 1,2 milhões de euros para pagar os salários dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes

Executive Digest
Novembro 10, 2025
8:30

Os trabalhadores da Base das Lajes podem recorrer a um adiantamento dos salários a partir desta segunda-feira. Os ordenados dos funcionários da base militar na ilha Terceira são pagos quinzenalmente. A quinzena de 17 de outubro foi paga com cortes e a de 27 de outubro não foi paga aos cerca de 450 trabalhadores portugueses devido à paralisação da administração americana.

“Se tudo correr bem, acho que segunda-feira já podem começar a pedir o ordenado”, afirmou o vice-presidente do executivo açoriano, Artur Lima, numa conferência de imprensa em Angra do Heroísmo.

Na passada quarta-feira, o Governo dos Açores autorizou o Instituto da Segurança Social a celebrar contratos de financiamento junto da banca até 1,2 milhões de euros para pagar os salários dos trabalhadores portugueses na Base das Lajes.

Os encargos vão ser assumidos pelos Açores, através da Segurança Social, “sem prejuízo da respetiva restituição por parte do Governo da República”.

O presidente do Governo Regional, José Manuel Bolieiro, já tinha dito que os Açores iriam garantir os vencimentos daqueles trabalhadores através de um acordo com a banca, caso o Governo da República não assegurasse os salários.

Governo tentou conter impacto desde o primeiro dia, revela Rangel

“O Governo português, desde o primeiro dia, até antes mesmo de se dar o `shutdown`, já estava em contacto com a embaixada dos Estados Unidos em Lisboa para tentar prevenir algum impacto, que infelizmente não foi possível conter”, afirmou Paulo Rangel na Assembleia da República, em resposta a uma pergunta da líder parlamentar comunista, Paula Santos, durante a audição conjunta, sobre o Orçamento do Estado de 2026 (OE2026), das comissões de Orçamento, Finanças e Administração Pública, dos Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas e dos Assuntos Europeus.

O objetivo do executivo era o de procurar mitigar, com subsídios de transportes ou de alimentação, o impacto da falta de pagamento de salários, consequência da paralisação parcial da administração norte-americana, que alcançou hoje o recorde de 36 dias consecutivos.

Os trabalhadores portugueses na Base das Lajes, na ilha Terceira, ao serviço da USFORAZORES, não receberam o vencimento da última quinzena, no dia 27 de outubro, e a anterior foi paga com um corte de quatro dias, devido à paralisação parcial da administração norte-americana por não ter sido aprovado o orçamento federal dos Estados Unidos.

Rangel registou a “grande recetividade” da embaixada norte-americana em Lisboa, mas notou: “A embaixada e o Estado português não conseguem mudar a situação política nos Estados Unidos, não conseguimos interferir nas votações no Congresso”.

“Temos sido muito ativos, sempre com os canais diplomáticos abertos”, ressalvou.

O ministro afirmou que o Governo central “aplaude” a decisão do Governo Regional dos Açores de adiantar os salários em atraso, através do Instituto da Segurança Social dos Açores (ISSA), que vai recorrer à banca, até ao limite de 1,2 milhões de euros, com o compromisso de que os encargos com a operação serão suportados pelo Governo da República.

Questionado sobre críticas do vice-presidente do governo regional, Artur Lima, que acusou hoje os ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, Nuno Melo, de terem abandonado os trabalhadores portugueses da Base das Lajes, Rangel desvalorizou.

“Alguma tensão ou diferença de opinião entre governos centrais e governos regionais é uma constante da história e uma glória da autonomia”, considerou o chefe da diplomacia portuguesa.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.