O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, declarou esta quinta-feira, em Kiev, que nomeará o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para o Prémio Nobel da Paz caso este decida fornecer mísseis Tomahawk à Ucrânia e contribuir para a concretização de um cessar-fogo com a Rússia.
“Durante o nosso mais recente encontro, não ouvi um ‘não’. O que ouvi foi que o trabalho continuará a nível técnico e que esta possibilidade será considerada”, afirmou Zelensky aos jornalistas, referindo-se à reunião que manteve com Trump à margem da Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, no final de setembro.
Zelensky sublinhou que a proposta é vista em Kiev como uma oportunidade decisiva para avançar rumo ao fim da guerra. “O plano para terminar a guerra não será fácil, mas é certamente o caminho a seguir. E, se Trump der ao mundo — e, acima de tudo, ao povo ucraniano — a oportunidade de alcançar um cessar-fogo, então sim, ele deve ser nomeado para o Prémio Nobel da Paz. Nós iremos nomeá-lo em nome da Ucrânia”, afirmou o chefe de Estado.
Trump quer “evitar uma escalada”, mas admite decisão quase tomada
O presidente norte-americano, Donald Trump, tem reiterado publicamente o desejo de ser distinguido com o Prémio Nobel da Paz, afirmando que pôs fim a “sete guerras” e que chegou mesmo a contactar o então ministro das Finanças norueguês, Jens Stoltenberg, para discutir a sua candidatura.
Na segunda-feira, Trump declarou que já “tomou praticamente uma decisão” sobre o envio dos mísseis Tomahawk para a Ucrânia, mas frisou que quer “saber exatamente como serão utilizados”. “Eu meio que tomei uma decisão, sim. Penso que quero perceber o que estão a fazer com eles, para onde os estão a enviar, suponho. Tenho de fazer essa pergunta”, explicou, acrescentando que não pretende ver uma escalada do conflito.
Kiev acredita que Tomahawks poderiam “sobressaltar” Moscovo
Segundo Zelensky, os mísseis Tomahawk — com alcance até 1.500 quilómetros — permitiriam à Ucrânia atingir alvos estratégicos em território russo, “até à Sibéria”, e fortalecer a posição de Kiev nas negociações.
“O envio de Tomahawks poderia fortalecer a Ucrânia e, talvez, sobressaltar um pouco os russos, levando-os à mesa das negociações”, afirmou o presidente ucraniano.
O líder recordou ainda que o seu governo já havia solicitado este tipo de armamento durante a presidência de Joe Biden, mas que o pedido foi rejeitado.
Moscovo alerta para “etapa perigosa de escalada”
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, reagiu esta quarta-feira às declarações de Kiev e às notícias sobre o possível envio de mísseis, alertando para consequências graves.
“Tal decisão levaria a uma nova e séria etapa de escalada na crise ucraniana… mas também causaria danos irreparáveis às relações russo-americanas”, afirmou Zakharova, durante um briefing em Moscovo.
A Rússia tem reiterado que o fornecimento de armamento de longo alcance a Kiev representa uma “linha vermelha” que pode alterar o curso do conflito iniciado em fevereiro de 2022.














