“Squid Game é um novo isco para ataques informáticos”, alertam especialistas. Como se deve proteger?

Na grande maioria dos casos analisados, foram encontrados downloads de trojans capazes de instalar outros programas maliciosos, no entanto, também havia outros tipos de trojans e adware.

Fábio Carvalho da Silva
Novembro 5, 2021
10:18

No mês em que estreou “Squid Game”, a série de televisão sul-coreana de sobrevivência, converteu-se na série com maior audiência da Netflix – com mais de 111 milhões de espectadores.

Sempre atentos às tendências e aos gostos da audiência, os cibercriminosos não hesitaram em aproveitar-se deste interesse dos fãs. Neste âmbito, os especialistas da Kaspersky partilham os seus conhecimentos sobre as ameaças mais comuns e sofisticadas relacionadas com o famoso “Squid Game” – incluindo trojanos, adware e ofertas enganosas de disfarces de Halloween.

De setembro a outubro de 2021, os especialistas da Kaspersky encontraram várias dezenas de arquivos maliciosos diferentes na web, cujos nomes mencionam a famosa série “Squid Game”.

Na grande maioria dos casos analisados, foram encontrados downloads de trojans capazes de instalar outros programas maliciosos, no entanto, também havia outros tipos de trojans e adware.

“Um dos esquemas utilizados pelos hackers funcionava da seguinte forma: à vítima mostrava-se uma suposta versão animada do primeiro jogo da série, ao mesmo tempo que era lançado de forma invisível um trojans, capaz de roubar dados dos utilizadores, bem como enviá-los para o servidor do atacante. Em paralelo, também se verificava a criação de um acesso direto a uma das pastas, que podia ser utilizada para lançar os trojans, cada vez que se iniciava o sistema”, refere a empresa à Executive Digest.

A Kaspersky encontrou, também, um malware móvel que explora o fenómeno do “Squid Game”. Na esperança de descarregar um episódio da série, o utilizador acabava por descarregar um trojan. Quando se lança uma aplicação num dispositivo esta pede ao servidor de controlo que realize tarefas. Isto pode materializar-se, por exemplo, em abrir um separador do navegador ou enviar um SMS aos números recebidos a partir do servidor de controlo. Este trojan, disseminou-se em lojas de aplicações não oficiais e em diversos portais que aparentavam ser outras aplicações, jogos ou livros populares.

Um Halloween recheado de travessuras informáticas

Durante o Halloween várias lojas online falsas ofereceram a possibilidade de comprar disfarces semelhantes àqueles que os jogadores usam na série.

“Estas lojas posicionam-se erradamente como oficiais mas são falsas. Ao comprar num destes sítios, os utilizadores arriscam-se a não receber o que encomendaram, podendo mesmo vir a perder o seu dinheiro. Adicionalmente, os utilizadores acabam por partilhar com os hackers a sua informação bancária e identificação pessoal, na medida em que, para efetuar a compra do suposto disfarce, tiveram que partilhar detalhes do cartão, dados pessoais, email, morada e nome completo”, alertam os especialistas.

Squid Game: Um jogo em que se perde dados bancários

Além das tradicionais páginas de phishing, que oferecem a retransmissão da série, também foram encontradas várias páginas que propõem uma competição em versão online do jogo, habilitando os participantes a ganhar 100 BNB (moeda de Binance). De referir que, neste caso, o jogador nunca recebe a recompensa prometida, mas acaba por perder sim os seus dados ou descarregar um malware.

Um exemplo de página de phishing que oferece a possibilidade de jogar Squid Game online e ganhar 100 BNB

“O Squid Game converteu-se no novo sonho para o cibercrime, não há qualquer dúvida, e era só uma questão de tempo. Como em qualquer outro tema que esteja na moda, os hackers sabem bem o que vai funcionar e o que não vai. À medida que o “Squid Game” se vai polarizando, observamos muitas páginas de phishing que oferecem a possibilidade de comprar roupas semelhantes às dos atores da série ou convidam os utilizadores a jogar um jogo online. Os utilizadores alvo acabam por perder os seus dados, o dinheiro e ter um malware instalado no seu dispositivo. Por isto, é muito importante que os utilizadores comprovem a autenticidade dos sites da web, quando procuram uma página que possibilite assistir à série ou a compra de um produto relacionado”, comenta Anton V. Ivanov, especialista em segurança da Kaspersky.

Para evitar ser a próxima vítima de programas maliciosos ou golpes, a Kaspersky aconselha os utilizadores, com as seguintes dicas:

 

  • Comprovar a autenticidade dos sites antes de introduzir os dados pessoais e utilizar apenas as páginas oficiais para ver ou descarregar os filmes. Verificar duas vezes os formatos das URL e a ortografia dos nomes das empresas.

 

  • Prestar atenção às extensões dos arquivos que se descarregam: um arquivo de vídeo nunca terá uma extensão .exe ou .msi. · Utilizar uma solução de segurança fiável, como o Kaspersky Security Cloud, que identifica os arquivos maliciosos e bloqueia os locais de phishing.

 

  • Evitar os links que prometam a visualização antecipada de conteúdos e, no caso de haver duvidas sobre a autenticidade, aconselha-se a comprovação junto do fornecedor de entretenimento.
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