Poucas datas despertam tanta superstição coletiva como a sexta-feira 13. Para uns, é apenas mais um dia no calendário. Para outros, é um sinal de alerta cósmico — uma data a evitar para grandes decisões, viagens ou novos começos.
Mas de onde vem esta reputação? E porque continua a influenciar comportamentos, mesmo numa era dominada pela ciência e pela tecnologia? A explicação cruza religião, simbolismo numérico, episódios históricos e até cultura pop.
Porque é que a sexta-feira 13 é vista como dia de azar?
A má fama da sexta-feira 13 não nasce de um único acontecimento, mas da combinação de dois elementos já carregados de simbolismo negativo: o número 13 e o dia sexta-feira.
Em várias culturas ocidentais, o número 13 foi durante séculos considerado problemático por quebrar a “perfeição” do 12 — doze meses do ano, doze signos do zodíaco, doze apóstolos. Na Última Ceia, o 13.º convidado foi Judas Iscariotes, que viria a trair Jesus, reforçando a associação do número à traição e ao infortúnio.
Já a sexta-feira carrega um peso próprio na tradição cristã, por ser associada ao dia da crucificação. Historicamente, também foi considerada um dia pouco auspicioso para iniciar viagens, assinar contratos ou celebrar casamentos.
A junção destes dois elementos ganhou força no século XIX e consolidou-se no início do século XX. Uma das teorias mais citadas liga a superstição à sexta-feira 13 de outubro de 1307, data em que os Cavaleiros Templários foram presos em massa em França — um episódio violento que ajudou a cimentar a ideia de maldição associada ao dia.
O papel do cinema na fama da data
No século XX, a cultura popular deu um novo impulso ao mito. Em 1980 estreou o filme Friday the 13th, conhecido em português como Sexta-Feira 13, que apresentou ao público a figura de Jason Voorhees, um dos vilões mais icónicos do cinema de terror.
Embora a famosa máscara de hóquei só tenha surgido mais tarde na saga, Jason tornou-se um símbolo duradouro de medo iminente e violência inesperada, reforçando no imaginário coletivo a associação da data ao perigo.
Com que frequência acontece a sexta-feira 13?
Contrariamente ao que alguns imaginam, a sexta-feira 13 é um fenómeno perfeitamente normal do calendário.
Ocorre pelo menos uma vez por ano e pode surgir até três vezes no mesmo ano civil. Tudo depende da forma como os meses se alinham e da existência ou não de ano bissexto.
Em 2025, por exemplo, houve uma sexta-feira 13 a 13 de junho. Estatisticamente, fevereiro, março e novembro são meses onde esta coincidência é mais provável. Anos que começam num domingo tendem a concentrar mais sextas-feiras 13.
A regularidade da data é precisamente o que alimenta o seu simbolismo: o “azar” aparece discretamente, inserido no próprio ritmo do tempo.
Superstições mais comuns associadas à sexta-feira 13
Apesar de a maioria destas datas passar sem qualquer acontecimento extraordinário, muitas pessoas continuam a agir com prudência.
Entre as superstições mais conhecidas estão evitar gatos pretos, não passar por baixo de escadas, adiar decisões importantes, evitar iniciar novos projetos ou recorrer a talismãs e objetos considerados protetores.
No fundo, a sexta-feira 13 mostra como símbolos antigos continuam a influenciar comportamentos contemporâneos. Entre crença e coincidência, a data permanece como um dos exemplos mais duradouros do poder cultural da superstição.




