Sempre a ‘apertar o cinto’? Siga estas 10 ideias para gerir as finanças pessoais

Gerir bem as finanças pessoais passa por controlar gastos, planear objetivos, escolher corretamente produtos financeiros (seguros, cartão de crédito, PPR) e criar hábitos consistentes de poupança e investimento.

Executive Digest com DECO PROTeste
Janeiro 23, 2026
8:30

Gerir bem as finanças pessoais passa por controlar gastos, planear objetivos, escolher corretamente produtos financeiros (seguros, cartão de crédito, PPR) e criar hábitos consistentes de poupança e investimento. Siga estas 10 ideias práticas, propostas pela DECO/PROTeste, para conseguir organizar o seu dinheiro, reduzir riscos e tomar decisões financeiras mais seguras.

1. Criar um orçamento familiar mensal

Comece por um orçamento familiar simples, ajustado ao seu rendimento real, seguindo os seguintes passos:

  1. liste todos os rendimentos líquidos;
  2. registe despesas fixas e agrupe-as por categoria (renda, crédito habitação, seguros). Use uma folha de excel ou uma aplicação que facilite o registo e o controlo de despesas e receitas;
  3. identifique despesas variáveis (alimentação, lazer, etc.);
  4. compare a evolução mês a mês e faça os ajustes necessários, eliminando as despesas mais supérfluas;
  5. reserve uma percentagem para poupança.

2. Criar ou reforçar o fundo de emergência

Crie uma almofada para imprevistos (avaria do carro ou da máquina de lavar, problemas de saúde, etc.). Três a seis meses ordenados são, em princípio, suficientes. Aplique-os em produtos de capital garantido e elevada liquidez, como depósitos a prazo e Certificados de Aforro.

3. Cartão de crédito: porque deve pagar sempre o valor total

cartão de crédito pode ser uma ajuda preciosa na gestão das finanças familiares, sobretudo em situações imprevistas ou despesas pontuais mais elevadas. Com o crescimento das compras online, tornou-se também um dos meios de pagamento mais utilizados. No entanto, o seu uso exige atenção na forma como liquida o extrato mensal.

Quando há a tentação de dividir o pagamento das compras em parcelas e não pagar o extrato na totalidade, acontece o seguinte:

  • incidem juros elevados sobre o valor da dívida;
  • custo real da dúvida aumenta significativamente;
  • o cartão de crédito torna-se uma das principais causas de incumprimento no crédito ao consumo.

Se pagar o valor total do extrato mensal do cartão de crédito, está a aproveitar o chamado período sem juros (normalmente entre 20 e 50 dias). Desta forma:

  • evita o pagamento de juros;
  • mantém o controlo do orçamento mensal;
  • usa o cartão como meio de pagamento e não como financiamento, reduzindo o risco de endividamento e protegendo as finanças pessoais.

Se optar por um cartão sem anuidade, pode usufruir de todas as vantagens deste meio de pagamento sem qualquer custo.

4. Seguro de saúde: como escolher o melhor para si

melhor seguro de saúde é aquele que cobre as suas necessidades reais, tem exclusões claras, períodos de carência aceitáveis e custos (prémio, franquias e copagamentos) compatíveis com o seu orçamento. Comparar coberturas é essencial antes de contratar, para evitar surpresas desagradáveis.

O que cobre um seguro de saúde?

  • Cirurgias.
  • Consultas de especialidade.
  • Parto.
  • Estomatologia.
  • Próteses e medicamentos.
  • Doença oncológica ou doença grave.

Como as coberturas variam consoante a apólice, é fundamental confirmar os limites anuais associados a cada ato médico.

Atenção às exclusões

seguro de saúde não cobre tudo. Todas as apólices incluem exclusões, que devem ser lidas com especial atenção antes da adesão. Estas são as exclusões comuns:

  • Doenças preexistentes.
  • Correção de anomalias e malformações congénitas.
  • Acidentes de trabalho e doenças profissionais.
  • Tratamentos de infertilidade e de inseminação artificial.
  • Cirurgia plástica (exceto na sequência de acidentes previstos pela apólice).
  • Tratamentos de obesidade.

Nestas apólices, é comum haver períodos de carência. Isto é, intervalos de tempo durante os quais não pode usar determinadas coberturas, mesmo após contratar o seguro. A duração é, em regra, anual, válida no território nacional, podendo ficar abrangidas deslocações ao estrangeiro durante estadas até 30 ou 60 dia. A maioria das apólices exige a comunicação escrita prévia sobre eventuais deslocações, com indicação do destino.

Além disso, é frequente existirem franquias (valor fixo suportado pelo segurado) ou copagamentos (percentagem da despesa a seu cargo).

 

Plano de saúde não é o mesmo que seguro de saúde

É importante não confundir seguro de saúde com plano de saúde. Este distingue-se da seguinte forma:

  • não tem períodos de carência;
  • não tem limites de idade para adesão ou permanência;
  • pode contratar um ou vários planos e começar a usá-los de imediato;
  • não cobre despesas, apenas oferece descontos nos estabelecimentos com os quais tem acordos;
  • o não-pagamento do plano de saúde até à data da sua renovação implica dívida, que vai acumulando juros.

Para cancelar um plano de saúde, é obrigatório comunicar por escrito à entidade que o comercializa com a antecedência mínima de 30 dias. Caso contrário, o plano renova automaticamente e o consumidor fica vinculado por mais um ano, estando obrigado ao pagamento das mensalidades contratadas.

5. Seguro automóvel de danos próprios: vale a pena contratar?

seguro automóvel de danos próprios é uma cobertura que protege o seu veículo em acidentes nos quais é responsável. Ele é especialmente útil em situações de danos elevados, como perda total do carro, ou em casos de furto. Mas será que vale a pena?

Quando o seguro de danos próprios é mais vantajoso

  • Nos primeiros cinco anos após a compra: trata-se de uma cobertura especialmente importante se o carro tiver um valor elevado.
  • Carros adquiridos com recurso ao crédito ou leasing ativo: garante que o veículo esteja totalmente protegido antes de ser quitado.
  • Proteção contra perda total ou furto: cobre danos graves que poderiam gerar gastos elevados.

Após cinco anos, a desvalorização do carro tende a reduzir a relação custo-benefício do seguro de danos próprios.

Se o carro é antigo, está pago e não tem grande valor comercial, pondere poupar uns trocos abdicando desta cobertura, limitando-se a um pacote mais simples de responsabilidade civil.

Antes de contratar, avalie:

  1. o valor atual do veículo;
  2. a forma de pagamento (a pronto, crédito ou leasing);
  3. o risco de sinistro e o histórico de condução.

Essa análise ajuda a maximizar proteção sem gastar desnecessariamente, garantindo que o seguro realmente compense para o seu caso.

6. Seguro para animais de estimação: proteja e evite problemas

Os seguros para animais são cada vez mais populares e abrangem diferentes tipos de coberturas, dependendo das necessidades do dono e do tipo de animal. A oferta de apólices é crescente, mas a maioria destina-se a cães e gatos; algumas estendem-se a roedores e a porcos vietnamitas.

Ao contratar um seguro para o seu animal de estimação, evita despesas inesperadas e garante assistência mesmo fora de casa.

Cobertura de responsabilidade civil: essencial para todos os donos

A responsabilidade civil garante que o dono do animal está protegido caso seja exigida uma indemnização por danos causados a terceiros.

  • Cobertura obrigatória por lei para raças de cães consideradas potencialmente perigosas.
  • Capital mínimo recomendado é de 50 mil euros.

Cobertura de saúde: cuidados médicos e bem-estar do animal

Além da responsabilidade civil, há apólices dirigidas à saúde dos animais, que incluem:

  • despesas médicas e cirúrgicas decorrentes de acidentes ou doenças;
  • diárias hospitalares e honorários dos médicos veterinários;
  • acesso a redes médicas veterinárias, com preços convencionados.

Alguns seguros podem, também, incluir desaparecimentoeutanásiafuneral ou regresso antecipado (de viagem, por exemplo) em caso de morte do animal, bem como cobertura durante viagens.

7. Transferir o seguro de vida

Regra geral, os bancos oferecem um spread mais baixo em troca da contratação do seguro de vida e do seguro multirriscos-habitação comercializados pela própria instituição. No entanto, esta solução nem sempre é a mais vantajosa. Em muitos casos, a poupança obtida com a bonificação do spread é inferior ao valor adicional pago pelos prémios de seguro exigidos pelo banco.

Transferir o seguro de vida associado ao crédito à habitação para uma seguradora mais barata pode permitir poupanças significativas ao longo do empréstimo. Para tomar uma decisão informada, deve:

  • analisar a projeção total do crédito à habitação com seguro no banco;
  • comparar com a projeção do crédito sem bonificação do spread, somando o custo do seguro de vida contratado fora do banco.

Depois de comparar as duas opções, escolha a que apresentar o menor custo total do crédito à habitação.

Procure as melhores ofertas de seguro de vida do mercado, e conte com o apoio da DECO PROteste em todo o processo de mudança, garantindo simplicidade.

8. Amortização do crédito à habitação: vale a pena?

Tem algum dinheiro de parte e quer reduzir a dívida da casa ao banco? A amortização antecipada do crédito à habitação é uma forma eficaz de diminuir os juros totais e reduzir o peso da prestação mensal. Pode ser pedida a qualquer momento.

Para solicitar a amortização, é necessário:

  • fazer o pedido por escrito ao banco;
  • respeitar um prazo mínimo de sete dias úteis de antecedência, se a amortização for parcial, ou 10 dias úteis, se quiser amortizar a totalidade do crédito;
  • em caso de amortização parcial, realizar a amortização no mesmo dia em que é cobrada habitualmente a prestação mensal.

Comissões de amortização: quanto pode o banco cobrar?

O banco pode exigir uma comissão, que varia consoante o tipo de taxa do crédito:

  • se o contrato tiver taxa variável, no máximo pode cobrar 0,5% do capital reembolsado (por cada 1000 euros amortizados, são cobrados 5 euros).
  • se tiver taxa fixa, a comissão será de 2% (por cada 1000 euros amortizados, são cobrados 20 euros).

A comissão pode não ser cobrada se o pedido for motivado por morte, desemprego ou deslocação profissional de um dos titulares do crédito. Deve indicar o motivo no pedido de amortização antecipada.

A amortização reduz o valor da prestação, mas o consumidor pode pedir ao banco para renegociar o contrato, mantendo o valor da prestação e diminuindo o prazo total do crédito.

9. Investir as poupanças e preparar a reforma

inflação corrói o valor das suas poupanças quando o dinheiro fica parado. Para preservar e fazer crescer o seu património, é essencial escolher soluções de investimento adequadas ao seu horizonte temporal, perfil de risco e objetivo, especialmente quando o objetivo é preparar a reforma.

Fundos de investimento: solução para o longo prazo

Um fundo de investimento (ou uma carteira de fundos) para o longo prazo é a melhor forma de fazer face à inflação. Contudo, não garante o capital. A DECO PROteste Investe recomenda este tipo de investimento apenas para quem consegue manter o dinheiro aplicado no longo prazo.

PPR: produto essencial para preparar a reforma

Fazer um PPR e preparar a reforma é cada vez mais importante, tendo em conta as previsões preocupantes para pensões futuras.

Segundo as estimativas da Comissão Europeia, em 2050, os pensionistas vão receber apenas cerca de 38,5 por cento do último salário. Se está na casa dos 40 ou 50 anos, é urgente programar uma poupança de longo prazo. Deve começar cedo.

Vantagens dos PPR

  • Poupança de longo prazo, com pequenos montantes, de forma regular.
  • Benefícios fiscais à entrada e à saída.
  • Possibilidade de resgate nas seguintes situações: desemprego; doença grave; incapacidade para o trabalho; e pagamento da prestação da casa.

Que tipo de PPR escolher?

Se não lida bem com o risco, ou se já está a dez anos (ou menos) da idade da reforma, opte por um seguro PPR com capital garantido. É mais estável, mas tem rendimento modesto.

Se está mais longe da idade de reforma (a mais de dez anos) e está disposto a correr algum risco, beneficiando da valorização das bolsas a longo prazo, escolha os fundos PPR, que investem parte da carteira em ações. Estes fundos não garantem o capital, mas, a longo prazo, rendem mais do que os PPR de capital garantido.

Para conhecer as recomendações mais detalhadas sobre os produtos, conheça o Canal Reforma da DECO PROteste Investe. Não se esqueça de, anualmente, comparar o seu PPR com os melhores do mercado, para saber se deve ou não transferir.

Não deixe as suas poupanças de longo prazo adormecidas num produto pouco rentável, pois pequenas diferenças de rendimento podem traduzir-se em milhares de euros na reforma. Compare no simulador da DECO PROteste Ganhe Mais no PPR.

Depósitos a prazo

Se precisa de liquidez no curto prazo, opte por uma conta a prazo. Para contornar a inflação, escolha os melhores depósitos. Os subscritores da DECO PROteste beneficiam, atualmente, das taxas mais altas do mercado.

Por regra, as taxas mais altas são para novos clientes ou novos montantes ou em pequenos bancos de capital estrangeiro ou banca online. Algumas dessas contas pedem a subscrição de outros produtos, outras exigem um montante elevado e outras ainda não permitem mobilização antecipada. Informe-se antes de escolher o depósito.

Certificados de Aforro ainda compensam?

Os Certificados de Aforro, atualmente na série F, são bastante menos interessantes do que as séries anteriores. No início de 2026, a taxa-base é de 2% bruta, ou seja, 1,5% líquida, abaixo da inflação estimada para este ano (2,1%, segundo o Banco de Portugal).

Vantagens dos Certificados de Aforro face aos depósitos:

  • permitem entregas a partir de dez euros;
  • capitalizam os juros, o que o torna um produto especialmente indicado a quem pretende uma aplicação que funcione como mealheiro para pequenos montantes;
  • têm um prémio de permanência.

Pode simular o rendimento na calculadora da DECO PROteste Investe.

10. Finanças: validar despesas e simular

Tem por hábito distrair-se e deixar despesas pendentes no e-Fatura? Isso é mais comum do que parece, sobretudo com despesas de saúde e educação, que muitas vezes ficam por validar.

Para não perder dinheiro no IRS, ao longo do ano, verifique com frequência o e-Fatura.

  • As faturas pendentes têm de ser validadas uma a uma;
  • O processo pode ser demorado, sobretudo se o agregado familiar for grande. Não se esqueça de validar as despesas dos filhos que façam parte do seu agregado;
  • Quanto mais tempo passar, mais difícil será recordar-se das despesas.

Guarde as faturas e demais documentação relevante por quatro anos, para o caso de ser sujeito a uma inspeção tributária por parte da Autoridade Tributária.

Despesas gerais familiares

Permitem deduzir 35% das despesas da água, energia, telecomunicações, supermercado e outras.

Limite máximo:

  • 250 euros por contribuinte;
  • 335 euros no caso das famílias monoparentais (dedução de 45% das despesas).

Pode reaver parte do IVA, com o limite anual de 250 euros por agregado. De acordo com o Orçamento do Estado para 2026, também passam a ser dedutíveis as despesas relativas a compra livros, museus e teatro, por exemplo.

Trate com atenção a declaração de IRS, pois só tem a ganhar: valide tudo o que tenha de ser validado no e-Fatura até 2 de março e consulte e atualize a composição do agregado familiar no Portal das Finanças até à mesma data.

No momento de entregar a declaração de IRS:

  1. verifique se as faturas estão todas incluídas no anexo H. Se alguma faltar, adicione manualmente, desde que tenha os comprovativos;
  2. simule para perceber se compensa englobar alguns rendimentos, como os de capitais e os prediais (rendas);
  3. verifique se é vantajoso entregar a declaração em conjunto com o seu companheiro ou companheira;
  4. confirme se é benéfico incluir os seus filhos (com mais de 18 e até aos 25 anos) na mesma declaração. Se tiverem rendimentos, pode compensar a entrega em separado.

Se for jovem e se enquadrar nos requisitos do IRS Jovem, não se esqueça de escolher essa opção na declaração de IRS.

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