Nos últimos séculos, a redução da jornada de trabalho tem sido vista como um sinal de progresso nos países desenvolvidos. O conceito da semana de quatro dias, surgido na década de 90 como uma tentativa de equilibrar o trabalho e a vida pessoal, ressurgiu durante a crise da Covid-19.
Com a adoção generalizada do trabalho remoto e o aumento da flexibilidade, o desejo por um melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional intensificou-se, explicam as docentes da ESCP Business School, Yaëlle Amsallem e Emmanuelle Leon, num artigo publicado no ‘The Conversation’.
Na Nova Zelândia e no Japão, por exemplo, a semana de quatro dias foi implementada para aumentar a produtividade e melhorar o bem-estar dos trabalhadores.
Países europeus, como Portugal, Reino Unido, Alemanha, Espanha e França, estão a seguir esse exemplo, embora enfrentem desafios específicos na sua implementação.
A abordagem varia, desde simplesmente concentrar as mesmas horas de trabalho em quatro dias, até reduzir a carga horária total para 32 horas semanais, com foco na melhoria da produtividade. No entanto, isso levanta questões sobre como garantir a eficiência e a qualidade do trabalho num período mais curto.
“Não devemos confundir a semana de ‘quatro dias’, que reduz o tempo de trabalho, com a ‘semana de quatro dias’, que o comprime”, explica o economista Éric Heyer.
Além disso, há uma discussão sobre se essa mudança é suficiente para abordar questões mais profundas relacionadas com o sentido do trabalho e a satisfação pessoal dos funcionários.
Enquanto a reorganização do horário de trabalho pode moderar a insatisfação, são necessários esforços adicionais para promover a motivação dos trabalhadores, como valorizar o seu trabalho e oferecer uma maior autonomia.
“O que está em causa aqui é a organização e distribuição do trabalho, e sim o lugar que pretendemos dar ao trabalho na sociedade”, disse à mesma fonte Sarah Proust , especialista associada à Fundação Jean-Jaurès.
A proposta da semana de quatro dias levanta questões mais amplas sobre o futuro do trabalho e a necessidade de repensar não apenas a duração, mas também a natureza do trabalho em si.














