Salário de 1300 euros reteve menos 839 euros de IRS e pode ter de pagar 98 euros

Um salário de 1300 euros reteve em 2024 menos 839 euros do que em 2023, num total de 1790 euros de IRS, valor que ficou 98 euros abaixo do que o imposto devido e que este ano pode implicar a reposição do imposto.

Executive Digest com Lusa
Abril 12, 2025
20:38

No ano anterior um trabalhador com um salário deste montante, segundo simulações da consultora Ilya, fez retenções de 2629 euros, superando os 2379 euros de IRS que teria a pagar face ao seu rendimento, situação que deu lugar a um reembolso, enquanto no ano passado a retenção foi de 1790 euros, inferior aos 1888 de imposto.

Este resultado é transversal aos vários perfis de contribuinte (solteiro sem filhos ou casal com entrega de declaração conjunta e um filho dependente com mais de seis anos de idade) e assumindo-se em todos os casos um valor de 250 euros de dedução por via das despesas gerais familiares.

Esta situação resulta do facto de, acentua a fiscalista Sara Simões, da Ilya, as retenções na fonte estarem “cada vez mais próximas da situação real das pessoas”, uma situação que lhes permite “terem mensalmente uma maior disponibilidade financeira”.

Subindo uns euros no valor do salário mensal, as mesmas simulações mostram que quem ganhou 1.800 euros (25.200 euros brutos anuais) reteve na fonte 4851 euros em 2023 e 3403 euros em 2024, uma descida de 1448 euros. Para o mesmo patamar de rendimento, o imposto efetivamente devido era de 4361 euros em 2023 e de 3559 euros em 2024.

A diferença entre o retido e o devido em cada ano transformou-se num reembolso de 489 euros no ano passado, enquanto este ano um contribuinte com este perfil tem um défice de 157 euros de imposto.

Já o casal com as características referidas e um salário mensal de dois mil euros brutos cada, viu a retenção na fonte recuar de 11.089 euros em 2023 para 7.832 euros em 2024, ao mesmo tempo que o imposto efetivamente devido baixou de, no mesmo período, 10.083 euros para 8245 euros.

Também aqui, a diferença entre a retenção e o imposto resultou num reembolso de 1006 euros no ano passado e num défice de 412 euros este ano.

Sara Simões acentua que estes cálculos demonstram “os efeitos práticos da redução das retenções na fonte”, revelando ainda que “não só houve uma redução do imposto final devido na entrega da declaração, como mensalmente a disponibilidade financeira é superior”.

A fiscalista ressalva, contudo, que contribuintes com este perfil de resultados poderão não chegar a pagar nenhum imposto porque tendo deduções à coleta, devido às despesas com saúde, educação, habitação ou mesmo faturas que permitem abater ao IRS uma parcela do IVA gasto em determinados setores, estas abatem diretamente à conta fiscal.

“Na realidade isso [pagamento do imposto] não se irá verificar, porque as pessoas têm direito a deduções e isso vai fazer diferença nos reembolsos ou imposto a pagar”, precisa a fiscalista, lembrando que em setembro e outubro do ano passado as pessoas fizeram uma retenção mais baixa do que no resto do ano, sendo que algumas não pagaram qualquer imposto naqueles dois meses.

Ainda que muitas pessoas olhem para o reembolso como uma poupança, Sara Simões considera que o modelo que procura aproximar o mais possível o imposto que é adiantado ao Estado (via retenções na fonte) daquele que cada pessoa tem a pagar “é razoável”.

Na campanha de IRS que arrancou no início deste mês, vários contribuintes têm-se manifestado surpreendidos ao verificarem, após a simulação, que o reembolso é mais baixo do que aquele que estavam habituados a receber ou que têm mesmo algum imposto a pagar.

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