A administradora financeira da RTP, Sónia Alegre, afirmou hoje que o grupo estima terminar o ano com 3,9 milhões de euros negativos, projetando que em 2026 o resultado seja melhor, mas que se agrave em 2027.
“Relativamente a números, estimamos terminar o ano com 3,9 milhões de euros negativos”, disse a administradora, que falava na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito da audição do órgão.
Se forem retirados os custos extraordinários do plano de saídas, seria então um milhão de euros de prejuízos no ano passado.
“Prevemos resultados negativos melhores em 2026”, acrescentou, com estes a agravarem-se em 2027 com aumento de custos.
“Pesa aqui uma política de investimento que é preciso fazer”, referiu Sónia Alegre.
Quanto ao modelo de financiamento da RTP, a gestora salientou que quer a lei como o contrato de concessão prevê que o Estado garante um modelo de financiamento adequado à missão de serviço público da RTP.
“As receitas estão trancadas desde 2016”, a receita recebida cresceu desde a mesma altura “a uma taxa de 1,4% ao ano”, enquanto as despesas cresceram a uma taxa de 1,6% ao ano, “claramente abaixo da taxa de inflação média, que foi de 2,4%”, enquadrou.
“Aqui está demonstrado o esforço gigante que a RTP fez desde 2017 para conter as despesas ao nível da receita que recebeu”, referiu Sónia Alegre.
“A isto adicionou-se naturalmente aquilo que foi a contenção do nível de investimento”, sublinhou.
Portanto, “a RTP procurou, de certa forma, acomodar aquilo que foi a redução do nível de receita que tinha”, disse.
Quanto aos 20 milhões de euros que estão previstos em sede de Orçamento do Estado para este ano, “não sabemos como iremos receber, não sabemos que indicadores serão necessários, mas há semelhança daquilo que tem sido feito e daquilo que tem sido o trabalho desenvolvido com a tutela setorial e com a tutela financeira, naturalmente, o cheque não será passado em branco”, asseverou.














