O rei Felipe VI de Espanha terá, em 2026, um vencimento anual de 290 mil euros, valor que representa uma subida de 1,5% face ao ano anterior. A atualização acompanha o aumento salarial aplicado aos funcionários públicos espanhóis e foi divulgada esta quinta-feira pelo Palácio de Zarzuela, no âmbito da política de transparência que o monarca tem procurado reforçar ao longo do seu reinado.
De acordo com os dados oficiais, a rainha Letizia passará a auferir 160 mil euros anuais, enquanto a rainha emérita Sofia receberá 131 mil euros. No total, as remunerações dos três membros ativos da família real somam 581 mil euros por ano.
A informação, avançada pelo jornal espanhol El País, integra o relatório de contas anual da Casa Real, documento que detalha as despesas e a estrutura orçamental da monarquia espanhola.
Juan Carlos fora das subvenções públicas
O nome do rei emérito Juan Carlos I continua ausente da lista de beneficiários de verbas públicas. A subvenção foi retirada pelo próprio Felipe VI em março de 2020, numa altura em que o antigo chefe de Estado estava a ser investigado por suspeitas de comissões ilegais relacionadas com a construção da linha ferroviária de alta velocidade entre Medina e Meca, na Arábia Saudita.
Pouco depois, Juan Carlos mudou-se para Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, onde permanece, sem manter qualquer ligação institucional à monarquia.
Também a princesa Leonor e a infanta Sofia não recebem qualquer remuneração direta do Orçamento Geral do Estado, que financia a Casa Real, conforme consta do relatório disponível na página oficial.
Salários cobrem despesas pessoais da família
As verbas atribuídas a Felipe, Letizia e Sofia destinam-se exclusivamente a despesas pessoais e não incluem deslocações oficiais.
É a partir destes rendimentos que são suportados encargos privados, como os estudos das filhas do casal real. Leonor e Sofia frequentaram o ensino secundário em regime de internato no País de Gales, com propinas de 82 mil euros para cada uma. Atualmente, a infanta Sofia está inscrita no bacharelato internacional do Foward College, em Lisboa, onde a propina anual é estimada em 18.500 euros.
O próprio Felipe VI utiliza ainda o vencimento para constituir poupanças. Em 2022, declarou possuir mais de 2,5 milhões de euros, numa estratégia assumida de reforço da credibilidade e da imagem institucional da Coroa, após as polémicas associadas ao reinado do pai.
Estrutura da Casa Real e salários da equipa
O relatório agora divulgado detalha igualmente as remunerações dos 11 funcionários que integram a estrutura da Casa Real.
O chefe de gabinete do rei, Camilo Villarino, é o mais bem pago, com 178 mil euros anuais — um valor superior ao da rainha Letizia. Seguem-se a diretora de comunicação, Rosa Lerchundi, o chefe de protocolo, Bernardo Cuesta, e a conselheira diplomática Carmen Velasco, todos com salários de 122 mil euros por ano.
Orçamento global congelado desde 2021
Apesar do aumento de 1,5% nas remunerações individuais, o orçamento total da Casa Real mantém-se inalterado desde 2021, fixado em 8,4 milhões de euros.
A maior parcela continua a ser destinada a despesas com pessoal, que somam 3,8 milhões de euros. Ainda assim, este montante representa uma redução de 22% face a 2025, resultado de alterações no regime de bónus dos funcionários.
Em contrapartida, cresceram os custos com bens, serviços e materiais, que atingem 696 mil euros.
As despesas de protocolo e representação ascenderam a 639 mil euros. Neste capítulo, a rainha Letizia tem sido apontada como exemplo de contenção, optando maioritariamente por marcas de moda espanholas, como Inditex ou Mango. Segundo um relatório da plataforma Ufo No More relativo a 2024, o guarda-roupa anual da rainha custou cerca de 56 mil euros, valor muito inferior ao de outras casas reais europeias, como a do Mónaco, onde Charlene terá gasto mais de 371 mil euros.
O financiamento da monarquia espanhola mantém-se bastante abaixo do modelo britânico. A Subvenção Soberana do Reino Unido atinge 132,1 milhões de libras — cerca de 151 milhões de euros — segundo a BBC.
Ao contrário da família real britânica, que recebe receitas significativas provenientes do ducado da Cornualha, Felipe VI não dispõe de propriedades privadas capazes de gerar rendimentos adicionais.






