Ramadão começa hoje para milhões de muçulmanos. O mês sagrado de jejum inicia com o avistar da Lua nova

O ramadão começa esta quarta-feira, 18 de fevereiro, depois de a lua crescente ter sido avistada na Arábia Saudita, confirmando oficialmente o início do nono mês do calendário islâmico.

Executive Digest
Fevereiro 18, 2026
8:15

O ramadão começa esta quarta-feira, 18 de fevereiro, depois de a lua crescente ter sido avistada na Arábia Saudita, confirmando oficialmente o início do nono mês do calendário islâmico. O anúncio foi feito na terça-feira pelo Supremo Tribunal da Arábia Saudita, determinando que o primeiro dia de jejum ocorre hoje, com os muçulmanos a absterem-se de comer e beber desde o nascer até ao pôr do sol.

O ramadão é observado por muçulmanos em todo o mundo como um mês de jejum, oração comunitária, reflexão espiritual e reforço dos laços comunitários. É também o período em que, segundo a tradição islâmica, o Alcorão foi revelado ao Profeta Maomé. O mês sagrado termina com a celebração do Eid al-Fitr.

Porque é que os horários do jejum mudam este ano
Em 2026, o ramadão decorre entre meados de fevereiro e meados de março. Contudo, nos Estados Unidos e na maior parte do Canadá, o período será marcado por um fator adicional: a entrada em vigor da hora de verão a 8 de março, quando os relógios adiantam uma hora.

Esta alteração não prolonga a duração real do jejum — que continua a depender do nascer e do pôr do sol —, mas muda subitamente o horário em que as principais práticas ocorrem. O iftar, refeição que quebra o jejum ao pôr do sol, passará a acontecer uma hora mais tarde no relógio, tal como a refeição antes do amanhecer e as orações noturnas.

Em cidades como Nova Iorque, por exemplo, o iftar na primeira metade do mês poderá ocorrer cerca das 17h45, avançando gradualmente até às 17h54 a 7 de março. Com a mudança da hora no dia seguinte, o pôr do sol passará a marcar aproximadamente as 18h55 no relógio, deslocando toda a rotina diária.

Calendário islâmico faz o ramadão mudar todos os anos
A explicação para esta variação anual reside na natureza do calendário islâmico, que é lunar e baseado nos ciclos da lua, ao contrário do calendário gregoriano, que é solar e utilizado para fins civis na maioria do mundo.

O imã Farhan Siddiqi, responsável religioso no Centro Islâmico Dar Al-Hijrah, na Virgínia, explica a diferença: “O [calendário lunar] corresponde a cerca de 10 dias a menos do que o calendário solar. Como é 10 dias mais curto, os meses vão recuar 10 dias todos os anos.”

Como consequência, o ramadão percorre todas as estações ao longo de um ciclo de aproximadamente 33 anos — podendo ocorrer no verão, com dias longos e quentes, ou no inverno, com períodos de jejum mais curtos. Em 2026, o mês sagrado situa-se no final do inverno e início da primavera no hemisfério norte, o que, em circunstâncias normais, significaria jejuns de duração moderada. A mudança da hora introduz, porém, um elemento adicional de adaptação.

Impacto nos Estados Unidos e Canadá
A alteração afetará muçulmanos em quase todos os Estados Unidos continentais — com exceção do Arizona e do Havai, que não adotam a hora de verão — e na maior parte do Canadá, excluindo algumas regiões de Saskatchewan, Yukon e partes da Colúmbia Britânica e do Quebeque.

Na Europa, onde a hora de verão apenas começa a 29 de março, o ramadão terminará antes da mudança, evitando este ajustamento a meio do mês. Já em regiões que não observam a mudança da hora, como a maioria do Médio Oriente, grandes áreas da Ásia e de África, não haverá qualquer alteração adicional ao ritmo do jejum.

Rotinas reorganizadas para enfrentar a mudança
Para muitos fiéis, a necessidade de reorganizar horários exige preparação antecipada. Lubna Turaani, enfermeira e estudante de 26 anos na Virgínia, planeou as semanas com detalhe para acomodar o impacto da mudança da hora a meio do ramadão. Cancelou temporariamente a inscrição no ginásio e definiu previamente que alimentos irá consumir para quebrar o jejum na primeira metade do mês.

Com um horário de trabalho parcial irregular, conciliado com estudos a tempo inteiro, Turaani prevê cozinhar e organizar tarefas domésticas nos dias de folga, preparar refeições antecipadamente e contar com o apoio do marido. “Tive mais de planear o meu horário de trabalho e estudo do que propriamente cozinhar e limpar”, explica.

Antecipando o efeito do adiantamento dos relógios, decidiu levar consigo uma tâmara e sopa para o trabalho, permitindo-lhe fazer um pequeno iftar ao fim do turno, às 19h, e completar a refeição principal por volta das 20h, já em casa. “Tive em conta a mudança da hora”, afirma.

Adaptação física e espiritual
O imã Abdul-Malik Merchant, diretor de programas da organização Hearts Together Foundation, considera que o impacto variará de pessoa para pessoa. “Para a grande maioria das pessoas, não penso que vá significar grande coisa”, afirma, sublinhando que quando a mudança ocorrer, muitos já terão cumprido cerca de 20 dias de jejum e o corpo estará adaptado.

Recorrendo a uma metáfora, Merchant compara o ramadão a uma maratona: “Talvez tenhas treinado o ano inteiro para uma maratona e agora aparecem subidas. É uma nova variável e testa um tipo de resistência que não sabias que precisavas. A mudança da hora é uma nova variável que será uma nova oportunidade para aprofundar a nossa determinação e devoção.”

Já Aseel Hasan, mãe de 29 anos residente em Cincinnati e grávida de seis meses, encara o período com pragmatismo. Embora grávidas e lactantes estejam isentas do jejum, pretende jejuar este ano. “Não me sinto espiritualmente totalmente ligada se não estiver a jejuar”, diz, reconhecendo que terá de assegurar hidratação adequada e energia suficiente para acompanhar o filho pequeno e cumprir a rotina diária.

Como apoiar quem observa o ramadão
Para familiares, colegas e amigos não muçulmanos, compreender esta alteração pode ser relevante na segunda metade do mês. A fadiga pode tornar-se mais evidente após a mudança da hora, não necessariamente porque o jejum seja mais longo, mas porque a reorganização do sono e das rotinas noturnas exige adaptação.

Planos sociais podem igualmente sofrer ajustes. Um jantar marcado para as 18h30 na primeira metade do mês poderá ter de ser adiado para as 19h30 ou mais tarde após o adiantamento dos relógios.

Ainda assim, Turaani vê nesta experiência uma oportunidade de reflexão. “É bom viver cada momento em que quebro o jejum, porque é um bom lembrete para qualquer coisa na vida”, afirma, comparando o esforço à perseverança perante dificuldades. E deixa um desafio: “Recomendo que [não muçulmanos] experimentem, tanto quanto possível, para sentirem a beleza da experiência.”

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