Já lhe deve ter acontecido quando pede uma viagem TVDE em algumas das principais operadoras: ler uma proposta de pagamento extra para acelerar o processo e conseguir garantir a viagem. Para as operadoras, esta modalidade visa “melhorar a dinâmica do mercado em zonas de muito movimento”, indicou a Bolt – já a Uber comparou com o embarque prioritário na aviação, garantindo aos passageiros “serem os primeiros a ter o pedido de viagem respondido”.
“O chamado serviço ‘Uber Priority’ (e modelo semelhante da Bolt) é, na prática, um subterfúgio criado pelas plataformas para apresentar um preço mais elevado ao cliente sem acionar formalmente a tarifa dinâmica, que teria efeitos em toda a zona geográfica e sobre todos os utilizadores”, explicou Ivo Miguel Fernandes, presidente da Associação Portuguesa de Transportadores em Automóveis Descaracterizados (APTAD), citado pelo jornal ‘Público’.
Victor Soares, presidente da Associação Nacional Movimento TVDE (ANM-TVDE), salientou que “o chamado serviço ‘prioritário’ surge como resposta à escassez de motoristas disponíveis para aceitar viagens a determinadas tarifas”. Assim, “o serviço adicional, pago pelo passageiro, visa aumentar a probabilidade de atribuição da viagem”, através de um “incentivo económico direto aos motoristas”.
O mecanismo de cobrança extra já existe desde 2024, mas Victor Soares salientou que “tem ganho maior expressão nos últimos meses, em particular nos horários de maior procura ou em zonas com menos oferta disponível”.
Ivo Miguel Fernandes salientou que o uso deste mecanismo de preços “se tornou mais visível nos últimos meses, sobretudo em períodos de elevada procura”, tendo surgido “como resposta direta à recusa frequente de viagens por parte dos motoristas, que consideram os valores-base propostos como insuficientes para cobrir os custos da operação”.
A situação, reforçou o responsável da APTAD, “tem vindo a denunciar esta realidade de forma sistemática: as tarifas praticadas são demasiado baixas, o que obriga os motoristas a rejeitar viagens pouco rentáveis”. Ou seja, “resulta em menor disponibilidade, maior tempo de espera para o passageiro e, agora, numa segmentação artificial de um serviço que não tem qualquer melhoria real, apenas um custo extra ao cliente”. Ivo Miguel Fernandes destacou que este tipo de soluções “apenas existe porque o modelo tarifário atual é profundamente desequilibrado”. “Se os preços fossem justos, equilibrados e sustentáveis, não haveria necessidade de recorrer a subterfúgios como o ‘Uber Priority’ para compensar falhas estruturais do modelo”, concluiu.














