Quanto é que as suas pesquisas na Internet estão a ‘custar’ ao ambiente? Esta calculadora tem a resposta

A pegada ecológica da internet é mais pesada do que muitos imaginam. Responsável por cerca de 3,7% das emissões globais de carbono, a rede mundial de computadores ultrapassa o transporte aéreo em poluição e, se fosse um país, seria o quarto maior poluidor do planeta.

Pedro Gonçalves
Janeiro 25, 2026
19:30

A pegada ecológica da internet é mais pesada do que muitos imaginam. Responsável por cerca de 3,7% das emissões globais de carbono, a rede mundial de computadores ultrapassa o transporte aéreo em poluição e, se fosse um país, seria o quarto maior poluidor do planeta. Para alertar sobre os efeitos ocultos das nossas pesquisas online, cientistas criaram uma ferramenta inovadora capaz de calcular o impacto ambiental de qualquer site.

Trata-se do projeto Digital Impact for Species, desenvolvido por especialistas em clima da Universidade de Exeter em parceria com o estúdio Madeby.studio, permite analisar um site e revelar custos ambientais que vão além das métricas tradicionais de CO2, água e energia. “Quando visitamos um site, raramente pensamos no impacto ambiental,” afirma o responsável pelo projeto, Dr. Marcos Oliveira Jr, da equipa de impacto natural e climático de Exeter. “Mas há um custo elevado, desde a energia consumida enquanto a informação viaja do centro de dados até ao computador ou smartphone, até à água usada para arrefecer os servidores.”

Como o calculador avalia os sites
O funcionamento da ferramenta é simples: basta inserir o URL do site e o sistema apresenta uma classificação de A+ a F, indicando a intensidade do impacto ambiental daquela página. Por exemplo, o YouTube.com, um dos sites mais visitados globalmente, recebeu uma classificação C, sugerindo que existem melhorias possíveis no seu impacto ambiental. Cada visualização de página gera 0,249 g de CO2, consome 0,0011 litros de água e 0,62 Wh de energia. Em termos práticos, 9.000 visitas mensais exigem 10 litros de água, quantidade suficiente para manter um macaco-prego vivo durante 77 dias, e energia equivalente ao gasto diário de 1.000 beija-flores Anna durante 332 dias. Além disso, seria necessário que uma árvore da Amazónia trabalhasse 41 dias para absorver o CO2 gerado por estas visitas.

O Dr. Oliveira Jr destaca que “o objetivo não é apontar culpados, mas envolver as pessoas e estimular a discussão sobre como construir uma internet mais sustentável.”

Metodologia e cálculo do impacto
A ferramenta recorre ao Google PageSpeed Insights para medir o tamanho exato dos recursos carregados em cada página, como imagens, texto e vídeos. Caso esta informação não esteja disponível, utiliza-se a média industrial do peso das páginas. Sites maiores exigem mais energia para transmissão e processamento, resultando em emissões mais elevadas.

Além disso, os dados da Green Web Foundation são usados para identificar se os servidores do site funcionam com energia renovável ou combustíveis fósseis. A partir daí, o Sustainable Web Design Model calcula as emissões de CO2, consumo energético e hídrico por cada visualização, traduzindo estes valores em comparações compreensíveis com espécies animais, tornando os efeitos mais tangíveis.

Estratégias para reduzir a pegada digital
Segundo os investigadores, os utilizadores podem reduzir apenas marginalmente o seu impacto ao navegar menos, sendo a principal responsabilidade dos gestores de sites. Entre as medidas recomendadas estão: usar menos imagens, limitar fontes, simplificar a navegação e evitar vídeos sempre que possível. Escolher hosts verdes, movidos a energias renováveis, eliminar código desnecessário e seguir boas práticas de SEO para tornar a pesquisa mais eficiente também contribuem para reduzir significativamente a pegada ambiental da internet.

O projeto evidencia que cada clique online não é neutro e que, com pequenas alterações de comportamento e boas práticas digitais, é possível contribuir para um ambiente mais sustentável, conciliando tecnologia e preservação da natureza.

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