Quando o bem-estar entra na equação

Opinião de Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo

Executive Digest

Por Paula Peixoto, Diretora de People and Culture da Olisipo

Falar de felicidade e bem-estar no trabalho tornou-se um tema estratégico. Já não é apenas visto como uma boa intenção, mas algo que impacta diretamente a capacidade das empresas de atrair e reter talento. Hoje quem lidera organizações percebe que não basta oferecer um bom projeto ou um salário competitivo. O que realmente diferencia uma empresa é a experiência que proporciona diariamente aos colaboradores.

No atual mercado de trabalho, especialmente em áreas como as tecnologias da informação, os profissionais querem saber como será o seu dia a dia. Perguntam desde o primeiro momento sobre a qualidade de liderança, o nível de proximidade, a forma como as decisões são tomadas e se terão espaço para aprender, crescer e, acima de tudo, manter um equilíbrio saudável entre a sua vida pessoal e profissional. É essa experiência, muito mais do que qualquer outro benefício isolado, que influencia decisões de entrada e permanência.

Na prática, a continuidade de um colaborador numa empresa raramente depende de um único momento. Considero que a maior parte das saídas resulta de um desgaste gradual: falta de reconhecimento, ausência de acompanhamento, pouca clareza nas prioridades ou sensação de estagnação. Pequenas situações que se acumulam ao longo do tempo e que reduzem a motivação e o envolvimento, criando um espaço para que o mercado se torne uma alternativa real.

Por outro lado, quando há um acompanhamento próximo, feedback regular e oportunidades claras de crescimento, a relação entre o profissional e a organização fortalece-se. Nestes contextos, a retenção torna-se uma consequência natural de uma experiência positiva e consistente. É este tipo de ligação que transforma colaboradores em profissionais comprometidos com resultados a longo prazo.

Continue a ler após a publicidade

Ainda assim, muitas organizações continuam a tratar o bem-estar de forma superficial. Aposta-se frequentemente em iniciativas visíveis, como benefícios ou eventos pontuais, que podem ser valorizados, mas não substituem a experiência real do dia a dia. Se a liderança é distante, se não existe clareza nem acompanhamento, estas ações têm um impacto limitado.

Pessoalmente, acredito que a diferença está na consistência. O bem-estar não se constrói com iniciativas isoladas, mas na forma como as pessoas são geridas todos os dias. A qualidade da liderança assume um papel central pela sua capacidade de criar proximidade, dar direção, acompanhar, ouvir e agir sobre o feedback. A par disso, fatores como oportunidades de desenvolvimento, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, um ambiente de equipa baseado na confiança e reconhecimento contínuo são determinantes para a felicidade no trabalho.

Organizações que alinham estes elementos veem efeitos concretos na produtividade e na colaboração. Equipas que se sentem valorizadas e seguras trabalham com maior foco, partilham conhecimento de forma mais aberta e inovam com confiança. A experiência positiva do dia a dia transforma-se em energia, compromisso e resultados consistentes.

Continue a ler após a publicidade

No futuro, acredito que a felicidade e o bem-estar continuarão a ser decisivos. À medida que as propostas das empresas se tornam mais semelhantes em termos de salário e projetos, é a experiência diária que faz a diferença. Não substitui outros fatores, claro. Mas assume um papel central na escolha e, sobretudo, na permanência dos colaboradores. E a verdade é que podemos decidir conscientemente criar esse contexto para termos equipas motivas e organizações mais sustentáveis.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.