PSP alerta para nova vaga de burlas em zonas afetadas pelo mau tempo e deixa conselhos

A Polícia de Segurança Pública (PSP) está a alertar para o aumento de tentativas de burla, sobretudo por via telefónica, nas regiões recentemente afetadas pelo mau tempo, apelando à população para redobrar cuidados, não fornecer dados pessoais e denunciar qualquer situação suspeita às autoridades.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 13, 2026
16:59

A Polícia de Segurança Pública (PSP) está a alertar para o aumento de tentativas de burla, sobretudo por via telefónica, nas regiões recentemente afetadas pelo mau tempo, apelando à população para redobrar cuidados, não fornecer dados pessoais e denunciar qualquer situação suspeita às autoridades.

Num comunicado, a força policial sublinha que os crimes contra o património, em particular as burlas, continuam a representar uma preocupação relevante, apesar do maior acesso da população à informação. Ainda assim, refere, “o célebre ‘conto do vigário’ continua a ser uma forma eficaz de obtenção ilegítima de valor patrimonial alheio”.

Segundo a PSP, os idosos mantêm-se como as vítimas preferenciais nas abordagens presenciais. No entanto, a evolução tecnológica e a expansão do mundo digital têm alargado o universo de alvos.

Os suspeitos “têm atingido também vítimas cujas idades são transversais a todas as faixas etárias”, o que demonstra que o fenómeno já não se limita apenas aos grupos mais vulneráveis.

Perante este cenário, a polícia garante que tem mantido uma vigilância constante, através de análise criminal, investigação e medidas preventivas, com especial enfoque no policiamento de proximidade, na educação do público e na divulgação dos principais métodos utilizados pelos burlões.

De acordo com o comunicado, “o investimento da PSP no contínuo trabalho de análise e repressão criminal deste fenómeno, bem como na sensibilização da população, tem-se traduzido em resultados positivos”.

Menos criminalidade presencial, mas aumento de contactos telefónicos
Nas zonas mais afetadas pelas recentes depressões e tempestades, a PSP refere que continua a registar “uma baixa significativa da criminalidade, pelo menos ao nível da que tem sido denunciada”, atribuindo esta redução à forte presença policial no terreno e ao efeito dissuasor das patrulhas.

A atuação nas ruas permitiu conter tentativas de burlas presenciais que vinham a preocupar famílias e empresas durante este período de maior fragilidade.

Contudo, com o restabelecimento progressivo das comunicações, começaram a surgir novos relatos de fraude por telefone.

Falsos técnicos de água e eletricidade
Entre os esquemas identificados, há indivíduos que se fazem passar por prestadores de serviços essenciais, como funcionários da água ou da eletricidade, alegando necessidade de:

– medir o caudal ou a qualidade da água;
– verificar ligações elétricas;
– agendar visitas ao domicílio.

O objetivo, alerta a PSP, poderá passar por “obter dados pessoais e confidenciais” ou recolher informação relevante que facilite uma abordagem criminosa posterior.

Face a esta prática, a polícia reforça recomendações claras: “Não forneça quaisquer dados pessoais por telefone”, “não aceite visitas ou ‘ajudas’ fora dos canais oficiais” e “não permita a entrada de desconhecidos em casa”. Em caso de dúvida, a orientação é terminar de imediato a chamada e contactar a PSP.

As autoridades explicam que esta migração das burlas para o meio telefónico surge “na sequência do reforço das ações policiais da PSP no terreno e pela dificuldade significativa de abordagens presenciais”.

Falsos funcionários do Ministério dos Assuntos Internos
O comunicado dá ainda conta de outro esquema em circulação, desta vez porta a porta. Burlões apresentam-se como alegados funcionários do Ministério dos Assuntos Internos, exibindo documentos e uma aparência credível, afirmando estar a confirmar dados para um suposto “próximo censo”.

Durante o contacto, pedem informações pessoais e, em alguns casos, dizem ser necessário:

– tirar fotografias;
– recolher impressões digitais;
– confirmar dados numa lista de nomes;
– utilizar computadores portáteis ou dispositivos biométricos.

A PSP é taxativa: “não existe qualquer iniciativa oficial com este propósito, pelo que tratar-se-á de uma burla”. O objetivo será, novamente, recolher dados pessoais e eventualmente facilitar furtos ou outros crimes mais tarde.

Prevenção é a principal defesa
Para a polícia, “a forma mais eficaz para se evitar ser vítima de um crime de burla é apostar na prevenção”, recomendando desconfiança perante desconhecidos ou negócios com lucros fáceis e rápidos.

A denúncia é igualmente considerada essencial. A PSP frisa que só através da participação às autoridades é possível iniciar investigações, identificar suspeitos e reduzir as chamadas “cifras negras” da criminalidade não reportada.

No ambiente online, a PSP aconselha a população a:

– não transferir dinheiro sem confirmar a legitimidade do anunciante;
– guardar e-mails, fotografias e mensagens;
– não aceder a links enviados por plataformas externas;
– pedir referências adicionais sobre produtos;
– pesquisar contactos do vendedor;
– desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
– evitar anúncios sem contacto telefónico ou com números estrangeiros;
– suspeitar de textos mal redigidos;
– não transferir dinheiro para contas bancárias estrangeiras.

Relativamente a abordagens físicas, a polícia recomenda:

– contactar de imediato a PSP perante movimentos estranhos no bairro;
– comunicar com os agentes de proximidade e registar características de pessoas ou viaturas suspeitas;
– não abrir a porta a desconhecidos ou usar a corrente de segurança;
– não fornecer dados pessoais sem confirmação da entidade;
– não aceitar encomendas não solicitadas;
– não divulgar rotinas ou bens valiosos;
– evitar guardar grandes quantias de dinheiro em casa;
– não se deixar enganar por distrações, incluindo a presença de crianças.

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