Proteção Civil emite alerta para “semana muito difícil” com “muita chuva e cheias”: saiba o que está em causa

ANEPC e APA deixaram o alerta em conferência de imprensa

Francisco Laranjeira
Janeiro 30, 2026
16:41

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) alertou esta sexta-feira para as previsões de “um período prolongado de precipitação” que vai iniciar-se domingo, “todos os dias e em praticamente todo o território”, indicou Nuno Lopes, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA). “Há previsões que indicam mais de 160 ml distribuídos ao longo da semana na parte norte do território”, frisou, garantindo que o sul será também afetado. “Ao longo da semana, teremos muita precipitação, muito chuvosa.”

O IPMA indicou que a tempestade Kristin terá sido “provavelmente a tempestade mais forte a atingir Portugal continental desde que temos registos”, pelo que o mau tempo da próxima semana não terá “nada” a ver com a mesma intensidade. “Esperamos muita precipitação, recordemos que estamos no pico do inverno, e nós estamos a falar de uma anomalia em cima da precipitação invernal sobre um território que apresenta fragilidades, depois de um dezembro chuvoso – o 7º mais chuvoso desde o início do século.”

“Pontualmente” poderá haver situações “de precipitação forte” em Portugal, eventualmente acompanhadas de “trovoada”, mas o que suscita maior preocupação é a quantidade de chuva que se deverá registar ao longo desse período, que se espera que seja “muito chuvoso”. Este cenário será ainda acompanhado de “agitação marítima forte, a partir, também, do início da próxima semana”, mas também de queda de neve e de alguns episódios de ventos, expectáveis para os próximos dias.

José Pimenta Machado, da APA (Agência Portuguesa do Ambiente), reforçou que “vimos numa sequência de várias tempestades. Temos os solos completamente saturados e qualquer chuva se transforma em escoamento”, ao qual se soma a “neve da Serra da Estrela”, que com o degelo traz mais água para Mondego e Zêzere, “uma dificuldade adicional”. “Mas há ainda uma outra dificuldade adicional: os incêndios de agosto e setembro, que afetaram muito a zona Centro. Os solos não têm qualquer vegetação, qualquer água que caia escoa e com sedimentos”.

Por isso, apontou o responsável da APA, “teremos um pico segunda-feira, quarta e quinta-feira, e neste dois dias “vamos provocar pequenas cheias para não termos uma cheia descontrolada”. “Esta gestão é muito bem articulada, vamos ter uma semana muito difícil e temos dois dias para nos preparar”, salientou José Pimenta Machado.

Por último, Mário Silvestre, comandante da Proteção Civil, avisou para a possibilidade “de inundações rápidas em zonas urbanas”, pelo que deixou uma “recomendação grande” para a população dessas zonas estar preparada, apelando para um “comportamento exemplar e entreajuda”. Neste altura, salientou, nas zonas já afetadas, “a falta de energia elétrica tem de ser sanada no mais curto espaço de tempo. Todos os pedidos de geradores que chegaram ao comando nacional estão supridos através dos vários agentes de Proteção Civil, acredito que há algumas zonas cujos pedidos ainda não tenham chegado”.

Para a semana, “estamos a pensar num tipologia de operações diferente, com inundações. Portanto, vamos precisar de embarcações. Neste momento, estamos a colocar os agentes da Proteção Civil com preparação necessária para estes meios e rapidamente os podermos mobilizar”, concluiu.

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