O primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, propôs o regresso da punição com varas nas escolas para incutir disciplina nas crianças do país asiático, que tem sido abalado por casos graves de bullying e abuso sexual.
Numa declaração à agência de notícias estatal ‘Bernama’, o responsável político explicou que a ideia de retomar tais punições é uma opinião que já havia expressado anteriormente, mas que até ao momento não se tornou política governamental, sem especificar se o Ministério da Educação está considerando a proposta.
“Em relação à flagelação, ela deve ser restabelecida, mas sob condições rigorosas, e não por meio de flagelação pública”, disse o primeiro-ministro, sublinhando que a questão deve ser mais explorada pelo Governo, pela Comissão de Direitos Humanos da Malásia e outras partes interessadas.
“A surra podia ser feita com as mãos, mas não a critério de cada um. Eu era professor e usava a bengala, mas com as mãos, e certamente não de forma abusiva”, afirmou. O primeiro-ministro afirmou que, embora alguns grupos de direitos humanos considerem uma forma de abuso infantil, muitos educadores e pais no país ainda acreditam que se trata de uma medida disciplinar, se aplicada de forma responsável.
Na semana passada, o Governo propôs proibir smartphones para estudantes menores de 16 anos e aumentar a vigilância policial nas escolas para melhorar a segurança, depois que vários casos de violência em centros educacionais chamaram a atenção nacional.
As autoridades malaias investigam a morte suspeita de uma menina de 13 anos que sofria bullying na ilha de Bornéu desde julho. Este mês, quatro adolescentes foram presos e acusados de violação coletiva de uma estudante e de espalhar a notícia nas redes sociais, causando comoção em todo o país.
De maioria muçulmana, o país tem vivenciado um aumento de fações islâmicas nos últimos anos, que ganharam influência no cenário político e social. A Malásia prevê a flagelação sob a lei islâmica para crimes como roubo e imigração ilegal, e em algumas áreas também a aplica a homossexuais e adúlteros.














