Prestação da casa sobe em dezembro pela primeira vez desde 2023 em contratos com Euribor a 6 meses

É a “altura ideal” para as famílias fugirem de apertos, avisa especialista.

Francisco Laranjeira
Novembro 26, 2025
9:00

Dezembro está a chegar e com ele, para milhares de famílias portuguesas, vão chegar más notícias no que diz respeito à prestação bancária do seu crédito habitação. Apenas quem tiver um contrato com maturidade de 12 meses pode respirar de algum alívio, com uma pequena prenda no sapatinho nesta época festiva, mas será sol de pouca dura.

Nuno Rico, da DECO-PROteste, em exclusivo à ‘Executive Digest’, deixou o aviso: este é “o tempo ideal” para as famílias com contratos de crédito habitação se prepararem para o futuro e evitarem apertos financeiros – e para tal, há duas soluções a que podem recorrer. “Tivemos, nas médias do mês de novembro, subidas em todas as maturidades, como tem acontecido de forma consistente nos últimos tempos”, indicou o especialista. Para quem tem Euribor a 6 meses, vai ter um agravamento na prestação, embora muito ligeiro, pela primeira vez em mais de dois anos [janeiro de 2023]”. Já na Euribor a 12 meses, “ainda haverá uma prenda no sapatinho”.

Vamos a números:

Tomemos como exemplo um empréstimo de 150 mil euros a 30 anos, com um spread (margem comercial do banco) de 1%:

Euribor a 12 meses: novembro registou uma taxa média de 2,218% (dados até dia 25), o que traduz uma prestação mensal de 650 euros – uma poupança de 23 euros em comparação com o valor pago há um ano (673 euros). “Para se ter uma ideia, quem renovar o contrato agora em dezembro, na última revisão tinha tido uma poupança de 133 euros na prestação”, frisou o especialista. “Mantendo esta tendência, no primeiro trimestre de 2026, estes contratos também eles vão sentir o agravamento da prestação.”

Euribor a 6 meses: apresenta uma média de 2,134%. Isto traduz-se numa prestação de 643 euros, representando um agravamento de 1,5 euros face à revisão anterior, em junho último.

Euribor a 3 meses: com uma média de 2,038%, a prestação fica agora nos 635 euros, mais 1 euro em relação à última revisão feita em setembro, apontou Nuno Rico.

É a “altura ideal” para as famílias reverem contratos de crédito habitação, avisa Nuno Rico

O especialista da DECO PROteste deixou conselhos às famílias portuguesas que vão ver as prestações bancárias agravarem-se – e até mesmo para as famílias com descontos ‘a prazo’.

“Apesar de vivermos num período internacional de muita incerteza, com a evolução dos conflitos militares, temos vindo a notar uma certa estabilidade nas taxas de juro desde o verão, com um ligeiro agravamento. Esta é a expectativa para o primeiro semestre de 2026, e isso obviamente vai ser sentido nos contratos”, indicou Nuno Rico.

“Por isso, é altura ideal para rever as condições do contrato, verificar se as condições são as mais competitivas atualmente. Se isso não acontecer, tentar negociar com a sua instituição bancária e se não tiver resposta positiva, ponderar a transferência”, avisou.

“E também, agora que muitas famílias receberam – ou vão receber – o subsídio de Natal, deve ponderar a possibilidade de uma amortização para antecipar estas possíveis subidas e assim minimizar o impacto desta evolução que estamos a assistir”, referiu o especialista.

“As famílias têm de aproveitar até ao final do ano a amortização sem custos, que não parece que vá ser estendida por mais um ano, a julgar pelas declarações dos líderes políticos”, concluiu Nuno Rico

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