Presidenciais não repetem legislativas: Seguro cresce, Marques Mendes cai e Cotrim vai além da IL

A comparação entre as presidenciais do último domingo e as legislativas de maio revela um forte desfasamento entre o desempenho dos partidos e o dos candidatos que os representaram.

Executive Digest
Janeiro 21, 2026
10:28

A comparação entre as presidenciais do último domingo e as legislativas de maio revela um forte desfasamento entre o desempenho dos partidos e o dos candidatos que os representaram. Nos 10 concelhos onde a Aliança Democrática (AD) obteve os melhores resultados nas legislativas, Luís Marques Mendes foi o mais votado apenas em dois, enquanto António José Seguro liderou em três e André Ventura venceu nos restantes cinco. No conjunto do país, Marques Mendes terminou a primeira volta das presidenciais no quinto lugar, com 11,3% dos votos, falhando a capitalização dos quase dois milhões de votos obtidos pela coligação PSD-CDS nas legislativas.

A análise detalhada dos resultados, avançada pela Renascença, mostra que Marques Mendes ficou abaixo da votação da AD em todos os concelhos, com quedas particularmente acentuadas: em mais de metade dos municípios, a diferença negativa ultrapassa os 20 pontos percentuais. O melhor desempenho registou-se em Fafe, o seu concelho, onde venceu com 31,2%, ainda assim abaixo dos 35,8% alcançados pela AD em maio, e em Boticas, onde obteve 32,9%, muito longe dos 62,6% conseguidos pela coligação nas legislativas.

As maiores quebras de Marques Mendes ocorreram no interior Norte — como Aguiar da Beira, Arouca, Sernancelhe e Mesão Frio — e na Madeira, em concelhos como Calheta, São Vicente e Santana, territórios onde André Ventura registou um crescimento significativo face aos resultados do Chega nas legislativas. Ventura foi o candidato mais votado em 80 concelhos e o segundo mais votado em 210, destacando-se São Vicente, na Madeira, onde alcançou 43,6%, mais do dobro da votação do Chega em maio.

Em sentido inverso, João Cotrim de Figueiredo conseguiu superar a Iniciativa Liberal em todos os concelhos do país, sempre por pelo menos dois pontos percentuais. O melhor resultado foi em Cascais, com perto de 25%, mais de 15 pontos acima da votação da IL nas legislativas. Apesar do crescimento transversal, Cotrim não venceu nenhum concelho, ficando em segundo lugar em 11 municípios, sobretudo em áreas urbanas da Grande Lisboa, Grande Porto e região de Leiria.

António José Seguro foi o grande vencedor da primeira volta, impondo-se em 227 concelhos e ficando em segundo lugar em mais 73. Apenas em dois municípios — Porto Moniz e Freixo de Espada à Cinta — não superou o resultado do PS nas legislativas. Em Penamacor, a sua terra natal, obteve 71,3% dos votos, mais do que duplicando a votação socialista em poucos meses, e conseguiu ainda superar Gouveia e Melo em todos os concelhos do país.

Entre os candidatos apoiados por partidos mais pequenos, o maior recuo foi o de Jorge Pinto, do Livre, que somou cerca de 38 mil votos, menos 220 mil do que o partido nas legislativas, sendo Amarante o único concelho onde superou o resultado partidário. Catarina Martins teve um desempenho semelhante ao do Bloco de Esquerda, com perdas nos centros urbanos e ganhos no Alentejo e na Madeira, enquanto António Filipe apenas melhorou marginalmente face à CDU em quatro concelhos, registando quedas superiores a 10 pontos percentuais em bastiões tradicionais como Serpa, Mora e Arraiolos.

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