Os jornais generalistas impressos destacam hoje nas capas as fotografias de Seguro e Ventura e em alguns editoriais é dito que o vencedor das eleições presidenciais de domingo, será também o da 2.ª volta.
“Seguro será Presidente” escreve o diretor-geral do Correio da Manhã, Carlos Rodrigues, justificando com as taxas de rejeição do candidato apoiado pelo Chega, André ventura.
“As taxas de rejeição do líder do Chega indicam que provavelmente Seguro será o próximo Presidente da República, cargo a que chega com uma margem de manobre vastíssima, atendendo à forma independente como desenvolveu a sua candidatura”, escreve.
O diretor-geral do CM começa por dizer que “cabe a um homem proscrito por aquele PS que esteve no poder durante oito anos, o mérito de devolver a esquerda às vitoriais eleitorais”, referindo-se a António José Seguro.
Também no editorial do Público, intitulado “uma escolha simples”, o diretor, David Pontes, salienta que Seguro “deverá vir a ocupar o cargo de que os socialistas têm estado arredados nos últimos 20 anos”.
“O grande vencedor destas eleições é António José Seguro. Começou por ter de se opor ao próprio partido e acabou por ser o grande agregador daqueles que quiseram impedir a ascenção das forças mais extremistas”, escreve.
David Pontes recorda que o segundo grande vencedor foi André Ventura. “A sua capacidade de reunir os desencantados com o atual cenário partidário continua a render-lhe muitos votos e poderá ainda crescer na segunda volta”.
Para David Pontes, o “grande derrotado” foi Luís Montenegro, por Marques Mendes ter tido “o mais baixo resultado de sempre de um candidato apoiado pelo PSD”.
O editorial do Jornal de Notícias – “Uma escolha inédita em meio século de democracia” – salienta que o resultado “não foi surpreendente”, uma vez que “a sondagem diária da Pitagórica (…) antecipou a posição relativa dos principais candidatos”, apontando que seriam Seguro e Ventura a passar à segunda volta.
“O resultado não deixa de ser inédito e extraordinário. Porque, pela primeira vez nesta pouco mais de meio século de democracia, os portugueses serão confrontados na segunda volta a fazer uma escolha entre um candidato centrista e moderado (…) e um candidato que representa a Direita mais extrema, o fundador e líder do Chega”.
O JN lembra que o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, decidiu não tomar partido pelos dois candidatos mais votados.
“Optou pelo conforto da ambiguidade. Não considera que o seu espaço político fique representado na segunda volta, porque Seguro está à sua Esquerda e Ventura à sua Direita”.
Ventura, escreve o jornal, reclamou para si a liderança da Direita, mas “ainda não a tem. E previsivelmente, será derrotado na segunda volta”, embora venha a sair deste processo “reforçado”.
“Vem aí uma campanha de ‘hearts and minds’ pelos eleitores da direita” intitula o Diário de Notícias no editorial assinado pelo diretor.
Filipe Alves começa por dizer que António José Seguro “foi, talvez, a maior surpresa destas eleições”, adiantando que começou por ser uma espécie de “patinho feio” do seu próprio partido, que “soube transformar em vantagens as suas alegadas desvantagens”.
Quanto a Ventura, adianta que “teve uma grande vitória” e considera que o que realmente está em causa “não é a Presidência da república mas sim a liderança da Direita”.
O jornal refere que as próximas semanas serão muito interessantes e que a “direita será o grande campo de batalha entre Seguro e Ventura numa verdadeira campanha de ‘hearts and minds'”.
Para o diretor do jornal, “Montenegro é um dos derrotados destas eleições”, dado que, “pela primeira vez em mais de três décadas, o PSD não tem um candidato com reais hipóteses de chegar à Presidência”.














