Presidenciais 2026: Os candidatos que querem (ou não) viver em Belém e o que vão levar para a nova casa

A corrida às eleições presidenciais de 2026 também se faz de gestos simbólicos e escolhas pessoais.

Revista de Imprensa
Janeiro 2, 2026
12:30

A corrida às eleições presidenciais de 2026 também se faz de gestos simbólicos e escolhas pessoais. Em conversas informais, para lá das entrevistas políticas, os candidatos revelaram o que fariam caso chegassem ao Palácio de Belém: se ali viveriam ou não, que livros colocariam na secretária, qual seria a primeira viagem oficial e até se haveria espaço para animais de estimação na residência presidencial. As respostas mostram visões muito distintas sobre o cargo e a forma de o exercer.

Os seis candidatos ouvidos pelo Expresso aceitaram percorrer o caminho até Belém num registo menos formal, falando sobre quotidiano, símbolos e prioridades pessoais. Nenhum garante que o país venha a ter novamente uma primeira-dama ou um primeiro-cavalheiro com papel institucional, num retrato que sublinha uma Presidência cada vez mais centrada na figura individual do chefe de Estado.

Gouveia e Melo quer viver no palácio e dispensar figuras protocolares
Henrique Gouveia e Melo é o único que assume claramente que irá residir no Palácio de Belém se for eleito, por considerar a opção “muito mais prática” em termos de trabalho e disponibilidade. O antigo chefe do Estado-Maior da Armada desvaloriza a existência de uma primeira-dama, recusando falar da vida familiar e afirmando que concorre “sem primeiras-damas, nem primeiros-delfins”. Defende que os banquetes de Estado devem promover a cultura nacional, com gastronomia e vinhos portugueses, deixando apenas um aviso pessoal: não aprecia iscas.

Cotrim de Figueiredo rejeita morar em Belém e aposta no simbolismo
João Cotrim de Figueiredo, candidato apoiado pela Iniciativa Liberal, também vê simbolismo no caminho até Belém, mas garante que não tenciona mudar-se para a residência oficial. Diz nunca ter pensado na forma como entraria no Palácio caso fosse eleito e afasta ideias de encenação. Leitor regular, recusa livros “para decorar” a secretária presidencial, admitindo apenas a Constituição como obra de consulta frequente. Entre desejos pessoais, aponta a vontade de pernoitar nas ilhas Selvagens e promete manter a Festa do Livro nos jardins de Belém.

Catarina Martins afasta-se do palácio e escolhe livros como marca
Catarina Martins também não pretende viver em Belém nem levar a sua gata, Gema, para o palácio, que descreve como um espaço museológico. Ainda assim, admite mudanças simbólicas, sobretudo na biblioteca presidencial, onde gostaria de incluir “Quem Tem Medo de Frankenstein, Viagem ao Mundo de Mary Shelley”, de Clara Queiroz. Quanto à diplomacia, já tem uma prioridade definida: o Brasil, defendendo que o diálogo com Brasília pode reforçar o multilateralismo num contexto internacional instável.

António José Seguro imagina um cão em Belém, mas não residência fixa
António José Seguro admite não ter animais de estimação, mas confessa “adorar” cães, em especial da raça Serra da Estrela, imaginando passeios pelos jardins de Belém com um eventual cão “presidencial”. Ainda assim, garante que continuará a viver nas Caldas da Rainha, pernoitando no palácio apenas quando a agenda o exigir. A mulher, Margarida Maldonado Freitas, não assumirá qualquer papel institucional, por entender que não existe formalmente o cargo de primeira-dama em Portugal.

António Filipe e Jorge Pinto recusam Belém e mantêm vida pessoal
António Filipe, apoiado pelo PCP, também rejeita viver na residência oficial, optando por manter a sua casa na margem sul do Tejo, mesmo reconhecendo o incómodo logístico para a segurança. Assim, a sua cadela não conhecerá Belém. Já Jorge Pinto, numa campanha que descreve como exigente, afasta igualmente a hipótese de ocupar o palácio, divide-se entre Espanha e Brasil como possíveis destinos da primeira viagem oficial e escolhe “Dos Deveres”, de Cícero, para a secretária presidencial, defendendo menus vegetarianos nos banquetes de Estado.

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