A marmota Punxsutawney Phil voltou a ser protagonista esta segunda-feira nos EUA ao prever mais seis semanas de inverno, depois de “ver a sua sombra” na tradicional cerimónia do Dia da Marmota, assinalada todos os anos a 2 de fevereiro, na pequena cidade de Punxsutawney, no estado da Pensilvânia.
A tradição, que remonta a 1886, dita que, se a marmota observar a própria sombra ao sair da toca, o inverno se prolongará. Caso contrário, a chegada da primavera será antecipada. O ritual transforma anualmente esta localidade, com pouco mais de cinco mil habitantes, no centro das atenções mediáticas e atrai milhares de visitantes, segundo o ’20 Minutos’.
Apesar da popularidade do evento, a fiabilidade das previsões de Phil é reduzida. Dados analisados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos indicam que a marmota acertou apenas cerca de 35% das previsões nas últimas duas décadas. No ano passado, por exemplo, a previsão de um inverno prolongado não se confirmou: fevereiro registou temperaturas próximas do normal, enquanto março acabou por ser um dos meses mais quentes já registados no país.
Do ponto de vista científico, o fim do inverno está definido pelo calendário astronómico, com o equinócio da primavera a ocorrer em meados de março, independentemente das previsões da marmota. Ainda assim, as condições meteorológicas nem sempre seguem esse marco e variam significativamente de região para região.
As previsões sazonais elaboradas pelos meteorologistas do Serviço Nacional de Meteorologia americano apontam para um cenário misto, com temperaturas mais frias do que o normal em grande parte do leste dos EUA e condições mais amenas no oeste e nas planícies do sul, sugerindo uma espécie de “primavera antecipada” em algumas zonas.
O inverno deste ano tem evidenciado contrastes acentuados. Enquanto várias regiões a leste das Montanhas Rochosas enfrentaram vagas de frio intenso e tempestades severas, grande parte do oeste do país registou temperaturas excecionalmente elevadas, com dezenas de cidades a viverem o inverno mais quente de que há registo. Esta tendência insere-se num contexto mais amplo de aquecimento global, que tem tornado o inverno a estação que mais rapidamente aquece em grande parte do território norte-americano, de acordo com o ’20 Minutos’.
Apesar de episódios pontuais de frio extremo continuarem a ocorrer, os especialistas sublinham que estes fenómenos são cada vez mais excecionais. À luz destes dados, a previsão de Punxsutawney Phil mantém sobretudo um valor simbólico e cultural, mais do que científico.














