Portuguesas Maria Luís Albuquerque e Clara Raposo entre os nomes apontados para o Conselho Executivo do BCE

O processo de renovação do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE) vai arrancar nos próximos meses, com quatro dos seis lugares de topo da instituição a ficarem vagos entre maio de 2026 e dezembro de 2027.

Pedro Gonçalves
Outubro 10, 2025
16:13

O processo de renovação do Conselho Executivo do Banco Central Europeu (BCE) vai arrancar nos próximos meses, com quatro dos seis lugares de topo da instituição a ficarem vagos entre maio de 2026 e dezembro de 2027. Entre os nomes que já circulam nos bastidores de Bruxelas, destacam-se duas portuguesas: Maria Luís Albuquerque, atual comissária europeia para os Serviços Financeiros e a União da Poupança, e Clara Raposo, vice-governadora do Banco de Portugal.

A informação foi avançada pelo Jornal PT50, que cita fontes europeias e diplomáticas próximas do processo de sucessão no BCE.

O primeiro mandato a terminar será o do vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, cujo cargo fica vago em maio de 2026. Seguem-se o economista-chefe Philip Lane, da Irlanda, cujo mandato expira em maio de 2027, e a alemã Isabel Schnabel, membro influente do Conselho Executivo, que deixará funções em dezembro de 2027.

Com a aproximação destas datas, os Estados-membros da zona euro começam a mover-se estrategicamente para garantir posições de relevo. Este processo é frequentemente marcado por negociações políticas complexas e alianças bilaterais, envolvendo interesses nacionais e equilíbrios regionais.

Antigo pacto entre Portugal e Espanha pode não se repetir
Historicamente, Portugal e Espanha mantinham um acordo informal de apoio mútuo em candidaturas a cargos europeus. Foi nesse contexto que Espanha apoiou Mário Centeno na presidência do Eurogrupo, em 2017, e Portugal retribuiu, apoiando Luis de Guindos para vice-presidente do BCE, em 2018, sucedendo a Vítor Constâncio.

Contudo, este entendimento foi quebrado em 2025, quando Portugal decidiu apoiar a recandidatura do ministro irlandês das Finanças, Paschal Donohoe, à liderança do Eurogrupo, em detrimento do candidato espanhol Carlos Cuerpo, atual ministro da Economia, Comércio e Empresas.

O processo de nomeação dos novos membros do BCE deverá revelar disputas intensas entre os grandes blocos da União Europeia. Alemanha e França, as duas maiores economias da zona euro, tentarão assegurar representação de peso, enquanto os países de Leste procurarão reforçar a sua presença. Já os países do Sul, incluindo Portugal, Itália e Espanha, querem capitalizar o sucesso da recuperação económica pós-pandemia para justificar uma presença mais forte nas decisões monetárias europeias.

De acordo com o artigo 283.º do Tratado sobre o Funcionamento da União Europeia (TFUE), os membros do Conselho Executivo são nomeados por oito anos, sem possibilidade de renovação, de entre os nacionais da zona euro — que passará a incluir a Bulgária a partir de janeiro de 2026.

O processo passa por várias etapas: o Eurogrupo analisa as candidaturas, o Conselho Europeu toma a decisão final sob recomendação do Conselho da UE, após consulta ao Parlamento Europeu e ao próprio BCE.

Portuguesas entre os potenciais nomes para suceder a De Guindos
Entre os nomes apontados para substituir Luis de Guindos, destacam-se o governador do Banco da Finlândia, Olli Rehn, figura moderada com experiência política e económica sólida, e as vice-governadoras Clara Raposo, do Banco de Portugal, e Christina Papaconstantinou, do Banco da Grécia.

Também surgem como potenciais candidatas a este lugar Nadia Calviño, atual presidente do Banco Europeu de Investimento (BEI) e ex-ministra espanhola da Economia, bem como Maria Luís Albuquerque, que após a sua passagem pelo Ministério das Finanças de Portugal, consolidou prestígio em Bruxelas enquanto comissária europeia.

Outro nome que poderá regressar à corrida é o do governador croata Boris Vujčić, apontado como possível sucessor de Philip Lane no cargo de economista-chefe do BCE, depois de ter falhado a vice-presidência em 2019.

O mandato da atual presidente do BCE, Christine Lagarde, termina a 31 de outubro de 2027, e a especulação sobre a sua sucessão já começou. Entre os nomes mais falados está o do holandês Klaas Knot, atual presidente do banco central dos Países Baixos, que a própria Lagarde elogiou publicamente como potencial sucessor.

“Conheço-o há pelo menos seis anos. Tem a inteligência, a resistência e a capacidade de mobilizar os outros”, afirmou Lagarde, numa intervenção recente no podcast College Leaders in Finance.

Outros nomes em consideração incluem o espanhol Pablo Hernández de Cos, antigo presidente do Banco de Espanha (2018-2024), apoiado por Mario Draghi, embora a sua recente nomeação para a liderança do Banco de Compensações Internacionais (BIS) possa reduzir as suas hipóteses.

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