A Polícia Municipal de Lisboa tem sido alvo de críticas após uma ação de apreensão de bicicletas na cidade, incluindo veículos em uso diário, amarrados a postes e outros elementos do espaço público. Um dos casos mais mediáticos é o de Larissa Lewandoski, cineasta brasileira de 33 anos, que na terça-feira de manhã, ao sair de casa na Rua Poeta Milton, na freguesia de Arroios, constatou que a sua bicicleta tinha sido retirada e estava presa a um poste de iluminação com um cadeado. “Pensei logo que a tinham roubado. Até fui perguntar aos vizinhos se tinham notado alguma coisa”, contou ao Público.
Segundo a fonte, a retirada de bicicletas decorre de uma ação mais ampla da Polícia Municipal, justificada pela Câmara de Lisboa com a necessidade de cumprir o Código da Estrada e de remover veículos abandonados, sejam automóveis, motos ou bicicletas. Em comunicado enviado ao Público, a autarquia sublinha que “uma das maiores preocupações da Polícia Municipal é garantir e manter a segurança para a circulação de peões no espaço que lhes é reservado”, enfatizando a proteção de passeios e acessos a carrinhos de bebé e cadeiras de rodas.
Entre 2024 e 2025, a Polícia Municipal removeu quase 11 mil bicicletas e trotinetes do espaço público, incluindo 5400 em 2024 e 5505 em 2025. A intervenção, segundo a autarquia, foca-se sobretudo em bicicletas obsoletas, enferrujadas, partidas ou sem rodas, e também naquelas amarradas a sinais de trânsito e corrimãos. No entanto, a ação tem gerado polémica, uma vez que muitas das bicicletas removidas pertenciam a utilizadores regulares, como no caso de Larissa, que teve de pagar 70 euros para reaver o seu veículo, avaliado em cerca de 100 euros.
Os ciclistas afetados denunciam a arbitrariedade da medida. “Esta maneira de atuar sem aviso prévio revela-se bastante arbitrária. Parece-me mais uma forma de fazer dinheiro de forma fácil”, afirmou Larissa, lamentando a falta de alternativas de estacionamento seguro para bicicletas na cidade, especialmente em zonas com habitações pequenas e apartamentos partilhados, onde não há espaço para guardar os veículos.
A CDU da Penha de França juntou-se às críticas, emitindo um comunicado que considera a ação “desproporcionada” e penalizadora para quem opta por mobilidade sustentável. O partido local exige esclarecimentos à Junta de Freguesia e a criação urgente de soluções de estacionamento seguro para bicicletas. A junta respondeu que o problema é reconhecido e que já foram planeadas intervenções, incluindo a instalação de biciparks, com o primeiro parque no Mercado de Sapadores, que contará com 12 lugares adicionais e deverá ser inaugurado em breve.
A situação revela um conflito crescente entre a necessidade de manter a segurança e acessibilidade nos espaços públicos e a promoção da mobilidade sustentável na capital portuguesa. Até ao momento, não foram anunciadas medidas compensatórias para ciclistas que dependem da bicicleta como meio de transporte diário, mantendo-se a tensão entre cidadãos, autarquia e Polícia Municipal.














