Perda de audição pode ser revertida, garantem cientistas. Descoberta genética permite criar novas células para curar surdez

A nova descoberta genética vai permitir a produção de novas células ciliadas no ouvido interno e externo. Até agora, a perda auditiva devido ao envelhecimento, ao ruído excessivo ou certas terapias do cancro ou antibióticos era irreversível

Francisco Laranjeira
Maio 6, 2022
7:30

A perda de audição pode ser revertida, graças à descoberta de um ‘gene mestre’ por uma equipa de cientistas – assim, podem ser criadas novas células auditivas que podem superar a surdez relacionada com a idade. Esta foi a conclusão de um estudo, publicado na revista científica ‘Nature’, que apontou ser possível agora reverter os efeitos da surdez resultado do envelhecimento.

A nova descoberta genética vai permitir a produção de novas células ciliadas no ouvido interno e externo. Até agora, a perda auditiva devido ao envelhecimento, ao ruído excessivo ou certas terapias do cancro ou antibióticos era irreversível, uma vez que não era possível reprogramar as células existentes para ouvir quando as células reais do ouvido morrem.

A cóclea usa dois tipos de células mecanossensoriais para detetar sons. Uma única fileira de células ciliadas internas (IHCs) faz a sinapse nos neurónios para transmitir informações sensoriais ao cérebro, e três fileiras de células ciliadas externas (CCEs) amplificam seletivamente as entradas auditivas. A descoberta científica garantiu, no entanto, que o único gene mestre pode transformar as células do ouvido em células ciliadas sensoriais externas ou internas.

De acordo com os Institutos Nacionais de Saúde, uma em cada oito pessoas nos Estados Unidos com mais de 12 anos lida com perda auditiva em ambos os ouvidos. Aproximadamente 9% de todos os adultos entre os 55 e 64 anos têm perda auditiva incapacitante – um número que salta para 25% entre os adultos de entre 65 e 74 anos e 50% entre aqueles com 75 anos ou mais.

Atualmente, os cientistas podem produzir uma célula ciliada artificial mas esta não se diferencia de uma célula interna ou externa, que fornece diferentes funções essenciais para produzir a audição. A descoberta é um passo importante para o desenvolvimento dessas células específicas.

A morte das células ciliadas externas criadas pela cóclea é mais frequentemente a causa de surdez e perda auditiva – as células desenvolvem-se em embrião e não se reproduzem. As células ciliadas externas expandem-se e contraem-se em resposta à pressão das ondas sonoras e amplificam o som para as células ciliadas internas. As células internas transmitem essas vibrações aos neurónios para criar os sons que ouvimos. Encontrar o gene mestre, que os cientistas chamam de TBX2, permitiu que a equipa possa criar uma célula interna ou externa.

“A nossa descoberta dá-nos a primeira célula clara para podermos fazer de um tipo ou do outro”, referiu Jaime Garcia-Anoveros, da Northwestern University, nos Estados Unidos, em comunicado. “Vai-nos fornecer uma ferramenta anteriormente indispoível para fazer ou uma célula ciliada interna ou uma externa. Superámos um grande obstáculo.”

“O ouvido é um órgão bonito. Não há qualquer outro órgão num mamífero onde as céluas estão posicionadas com tamanha precisão – com precisão micromética. Caso contrário, não haveria audição”, explicou o investigador. “Agora podemos descobrir como reproduzir células ciliadas especificamente internas ou externas e identificar por que motivo as últimas são mais propensas a morrer e a causar surdez”, finalizou.

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